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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Medicina e Humanismo

José Márcio Soares Leite*

Em recente trabalho de autoria do Dr. Dante Marcello Claramonte Galian, Diretor do Centro de História e Ciências da Saúde da Universidade de São Paulo-UNIFESP, sob o título a (Re)humanização da Medicina, este nos diz que “em sua origem a Medicina Ocidental era uma ciência essencialmente humanística” para prosseguindo citar Werner Jaeger em sua obra Paidéia.A Formação do Homem Grego ( 1995, p. 1001) – “de todas as ciências humanas então conhecidas, incluindo a Matemática e a Física, é a Medicina a mais afim da ciência ética de Sócrates”. Finalmente conclui “que esse humanismo da medicina desapareceu no século XX, pois ocorreram muitos progressos científicos nas ciências físicas, químicas e biológicas, aliados ao desenvolvimento tecnológico, e estes foram, cada vez mais, redirecionando a formação e a atuação do médico, modificando também sua escala de valores, pois à medida que o prestígio das ciências experimentais foi crescendo, o das ciências humanas esvanecia-se no meio médico. A medicina deixava de se apoiar nas ciências humanas para se sustentar, essencialmente, nas ciências exatas e biológicas” .

Em síntese, pelo que se depreende da leitura desse trabalho, o médico do século XIX, mais que um biólogo, mais que um naturalista, era fundamentalmente um humanista. Um sábio que na formulação de seu diagnóstico, levava em conta não apenas os dados biológicos, mas também os ambientais, culturais, sociológicos, familiares, psicológicos e espirituais. Era, portanto, antes de tudo um filósofo, um conhecedor das leis da natureza e da alma humana, ou seja, conhecedor dos avanços científicos de sua época no campo da clínica, da cirurgia, da patologia, da farmacologia, mas também um amante da literatura, da filosofia e da história.

É óbvio que, desde as sua origens, a medicina se fundamentou no estudo dos componentes biológicos do corpo para construir suas teorias, elaborar seus diagnósticos e determinar seus tratamentos, entretanto nunca em sua história como a partir desse período que se inicia ainda no século XIX e se estende até nossos dias, essa fundamentação chegou a ser tão absoluta e dogmática.

As descobertas ainda mais surpreendentes que ocorreram nas últimas décadas, principalmente, no âmbito da biologia celular e molecular, que ultimamente têm culminado nas pesquisas do genoma, parecem ter definitivamente confirmado a idéia de que a chave de todo o conhecimento médico está nas ciências experimentais.

Anuncia-se para dentro em breve o descobrimento das verdadeiras causas de todas ou pelo menos quase todas as doenças que flagelam a humanidade. E, desta forma, através de manipulações em nível genético, assim como por meio de precisos e eficazes tratamentos preventivos, poder-se-á prever, reverter e principalmente prevenir grande parte das doenças que nos espreitam, como o câncer, as deficiências imunológicas ou os distúrbios cardiovasculares.

A leitura do texto do Professor Galian, nos remete, de forma reflexiva, ao que nos deixou dito sobre humanismo e ciência o médico, professor, cientista e humanista Dr. Bacelar Portela, no seu discurso de posse na Academia Maranhense de Letras em 1950_ “Ensinaram-me que a vida era um simples jogo de fenômenos mecânicos e físico-químicos, de trocas entre o organismo e o meio. Assim, era incapaz de enriquecer de aquisições úteis, de nutrir os valores reais da pessoa humana; era incapaz de orientar o homem no sentido de dizer se a matéria devia ser olhada pelo prisma do espírito ou o espírito pelo prisma da matéria. Ensinaram-me, enfim, que era matéria e que era energia; que era massa, força viva e inércia; que era gravitação e campo magnético; que a ciência estava apta a saturar todos os valores e anseios do espírito humano, e que a filosofia se tinha reduzido a uma simples teoria do conhecimento, análise interior aos dados de experimentação. Não me disseram, porém, que a ciência, marchando para um pluralismo desnorteador e desintegrante, debatendo-se entre os conceitos de analogia e diferença, simultaneidade e seqüência, reversibilidade e irreversibilidade, simetria e assimetria, isotropismo e anisotropismo, quase esgotada na sua capacidade de conceituação, dividida entre as doutrinas da continuidade e descontinuidade do universo, não poderia subsistir sem a Filosofia” e o biólogo americano Francis Collins, um dos cientistas mais notáveis da atualidade. Diretor do Projeto Genoma e um dos responsáveis por um feito espetacular da ciência moderna: o mapeamento do DNA humano, no seu livro, recentemente lançado nos Estados Unidos The Language of God (A Linguagem de Deus), para quem “é possível aceitar as teorias de Darwin e ao mesmo tempo manter a fé religiosa”.

             A leitura do texto nos leva também a suscitar uma questão extremamente dialética:

            Será possível o médico atual, que exerce sua profissão apoiado no tecnicismo e mecanicismo da medicina dita científica, de equipamentos de ponta ou “armada”. Que utiliza como apoio diagnóstico a imunohistoquímica e nas suas pesquisas a imunogenética, que precisa para sobreviver andar num corre corre de serviço a serviço de saúde, todos com baixa remuneração, exercer essa prática médica de forma humano-científica como no século XIX ? Certamente que não.

 Nesse contexto, as Universidades, os Gestores da Saúde, as Academias de Medicina, os cientistas da saúde, os historiadores, os filósofos, os antropólogos, os psicólogos, os literatos, os pedagogos, professores e alunos de escolas médicas, precisam perceber que as ciências humanas têm muito a contribuir para o desenvolvimento das ciências da saúde e da medicina e que nunca como hoje se fez tão necessário uma reflexão histórico-filosófica para que se possa (re)humanizar a medicina e as ciências da saúde em geral.





* Médico. Membro da Soc. Maranhense de História da Medicina.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

UFMA concede as Palmas Universitárias 2011
Foram homenageados 45 servidores



Numa solenidade que contou com a presença de convidados, familiares e amigos, a Universidade Federal do Maranhão realizou a sua cerimônia anual de concessão de Palmas Universitárias, no auditório central da instituição. Estiveram presentes no evento o Reitor Natalino Salgado, o Vice-Reitor Antonio Oliveira, os Pró-Reitores de graduação, Aldir Carvalho, de pós-graduação, Fernando Carvalho, de Recursos Humanos, Elisa Borges, de Extensão, Antonio Luis Amaral e de Finanças, José Américo da Costa Barroqueiro.

Além dos participantes da comunidade acadêmica, alguns parceiros também receberam as Palmas como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Maranhão, IPHAN, Kátia Bogéa, o Banco do Brasil, João Avelar Matias Lopes, a Associação dos Amigos da UFMA, Alayde Pavão Lopes, a Fapema, Pedro Borges Pereira Santos, o Núcleo de Cultura Linguística, Maria de Sousa Belo, a Secretaria de Estado da Educação, João Francisco Batalha e a Secretaria Municipal de Saúde, Professor doutor Gutemberg Ferreira Araújo.

As Palmas Universitárias é uma comenda criada em 1986 para homenagear professores e funcionários que se dedicaram ou que dedicam parte da sua vida pelo desenvolvimento da Universidade, não somente como uma produtora de conhecimento, mas também, como a construtora de uma memória individual e, ao mesmo tempo, coletiva. Este foi o exemplo da cozinheira do Colégio Universitário, Iraneide Higino Passos Costa que, in memorian, teve seu nome lembrado para ser homenageado pela dedicação com que fazia a merenda escolar dos alunos do Colun. A Sua filha Vilma da Conceição Passos Castro foi quem, em nome da sua mãe, recebeu a homenagem, emocionando a todos os presentes. Assim aconteceu também com Cláudia Lobato Borges que recebeu as Palmas, in memorian, dadas ao seu pai Carlos Alberto Salgado Borges que foi coordenador do curso de medicina, entre outros cargos que exerceu ao longo de sua vida até a sua morte.

Outra homenageada, Maria José Meireles de Moraes, recebeu as Palmas Universitárias porque deu um exemplo único no serviço público: mesmo com tempo para se aposentar continua trabalhando no setor de qualidade de vida colaborando para a qualidade do serviço público, assim como a Professora Maria Ieda, da área de educação, que continua exercendo funções ou Marly Abdalla que em várias funções ajudou a construir o projeto Uniti, Universidade da Terceira Idade e que recebeu o prêmio Construtora da História.

O Presidente da Assuma, Sérgio Gonsorioski , escolhido para representar os servidores falou sobre o cenário atual da UFMA elogiando o trabalho da atual equipe e, dedicou as suas Palmas para sua esposa que está fazendo tratamento de saúde em São Paulo. Já o Professor Doutor Arão Paranaguá de Santana ressaltou a simbologia da homenagem e a singularidade do seu nascimento: no dia do professor e filho de dois professores, apreciador e professor de artes e do ensino das artes como ensino. Para ele, as Palmas representam muito por conta do momento em que vive a UFMA, não somente por sua expansão física, mas pelas condições de ensino, de pesquisa e de extensão e ainda pelas condições políticas e culturais que precisam ser estimuladas para reduzir as desigualdades que aparecem na cultura maranhense.

No seu discurso, o magnífico reitor destacou novamente a palavra gratidão para falar que “as palmas universitárias têm nome apropriado e fazê-lo publicamente é dever àqueles que são dignos dela. Interessante é que no sentido literal, as folhas de palma também significam vitória e martírio. Neste momento solene e ansiosamente aguardado por todos nós, ficaremos apenas com o primeiro sentido, embora seja sabido que nenhuma vitória nasce sem sofrimento, sem dedicação e esforço. Não poucas vezes à custa do afastamento familiar, da perda de sono, do cansaço. E dizemos que todo este dispêndio só dá sabor ao que se consegue”, disse.


http://www.ufma.br/noticias/noticias.php?cod=11533

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

NOTÍCIAS SMHM

POSSE DO PROFESSOR NATALINO FILHO

            Após quatro anos à frente da Universidade Federal do Maranhão, o professor Natalino Salgado Filho, reeleito Reitor pela comunidade Universitária, tomou posse, no dia 11 do mês corrente, no Gabinete do Ministro da Educação em Brasília.

            Na sexta-feira passada, o professor Natalino Filho reassumiu as suas funções, em solenidade que teve lugar no auditório central do Campus do Bacanga, na presença de conselheiros e autoridades universitárias, do Sr. Vice-Governador, de Secretários de Estado e membros da comunidade universitária e de movimentos culturais.

            No seu discurso de agradecimento, o Sr. Reitor enfatizou a luta que vem travando pela melhoria das condições físicas nos diferentes Campi da UFMA a fim de oferecer um saudável ambiente de trabalho e de suporte técnico onde professores e alunos possam desenvolver o seu trabalho.

            Nós que fazemos a Sociedade Maranhense de História da Medicina nos associamos às homenagens prestadas ao professor Natalino Filho, membro fundador e efetivo desta entidade, augurando-lhe votos de pleno êxito na jornada a fim de que realize o seu grande sonho: uma grande Universidade para o Maranhão.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

AMBIENTE E DOENÇA - Aula de História da Medicina.

1. “Os seres vivos são formas de organização da matéria que se desenvolveram, historicamente, em função de determinadas condições do meio”. ( Rey, L.).
2. MEIO AMBIENTE – “é o conjunto de condições, leis, influências e infra-estrutura de ordem física, química e biológica que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”.
3. O AMBIENTE: FÍSICO: Fatores geográficos ou físicos / BIOLÓGICO: Fatores biológicos – Biota / SOCIAL: Fatores sociais e humanos.  O SISTEMA ECOLÓGICO OU ECOSSISTEMA.
4. Ecossistema: é  uma organização complexa formada por todos  os organismos que vivem e interagem entre si, em determinada região,  e pelos fatores abióticos que agem sobre eles.
5. Mecanismos adaptativos: “são instrumentos próprios dos seres vivos que se expressam pela sensibilidade manifesta às variações ambientais com produção de respostas bioquímicas e fisiológicas capazes de corrigir os mínimos desequilíbrios dinâmicos resultantes do processo interativo”.
6. ADAPÇÃO X SAÚDE X DOENÇA: Os mecanismos adaptativos co-relacionados ao determinismo genético desenvolveram, no homem, 2 estados frente ao binômio prazer e dor: Saúde e  Doença.
7. A DOENÇA COMO RESULTANTE DAS INTERAÇÕES DE GRUPOS HUMANOS COM O SEU AMBIENTE. A  DINÂMICA DA EMERGÊNCIA DAS DOENÇAS E O AMBIENTE.
8. Fatores Globais:  Aquecimento global – efeito estufa; Poluição do ar; Camada de ozônio;   Alterações na biodiversidade.
9. FATORES AMBIENTAIS: Poluição ambiental ( água, solo, ar ) / Degradação do ambiente doméstico e do Trabalho.
10. FATORES SOCIAIS: Degradação do ambiente social – ( falta de moradia, de boa educação, de lazer, de trabalho, de segurança  -  os problemas do entorno: A violência.
11. O QUE É DOENÇA?“É um desajustamento ou falha nos mecanismos de adaptação do organismo ou a ausência de reação aos estímulos a cuja ação está exposto”.  (Jenicek & Cléroux).
13. EVOLUÇÃO HISTÓRICA  DO BINÔMIO DE SAÚDE – DOENÇA. ELEMENTOS ESSENCIAIS: Natureza e Estrutura  e Funções do Corpo. Tipos de relação: Corpo – Espírito  e  Pessoa – Ambiente.
14. CONCEPÇÕES DA MEDICINA AO LONGO DA HISTÓRIA  (Meyers & Benson, 1992). 1.Concepção Ontológica da Doença: As doenças são causadas pela invasão do organismo por  “entidades” externas que vão se alojar em diferentes partes. ( Medicina Mágico-Religiosa da Mesopotâmia e Egito Antigo).  2. Concepção Fisiológica: As doenças decorrem do desequilíbrio entre forças naturais  que ocorrem dentro e fora das pessoas. Hipócrates ( 460 a.C.) – Teoria dos 4 Humores. Medicina da Índia ( éter ou vazio, vento, fogo, água e terra). Medicina Chinesa - princípios  básicos do universo: Yang-Yin..
15. VERTENTES DE EVOLUÇÃO DA DOENÇA, NA HISTÓRIA DA MEDICINA. Medicina Divina, mágico-religiosa ou ontológica – doenças são causadas por “entidades” externas que vão se localizar em diferentes partes do corpo. Egito antigo, Mesopotâmia. Medicina Empírica ou fisiológica : as doenças ocorrem por desequilíbrio entre forças naturais dentro e fora das pessoas. Grécia antiga, Índia, China. Medicina oficial  (Empírica ) – Galênica. * Medicina Científica ( O método científico – Galileu, Francis Bacon e Descarte).
16. O Método científico – conjunto de regras básicas que orienta o procedimento para obtenção do conhecimento científico. Concebido por Roger Bacon (1220 – 1292) norteou o pensamento científico até fins do século XIX: a experimentação é fonte de conhecimento. Francis Bacon (1561 – 1626)influenciado pelos trabalhos de Copérnico e Galileu aperfeiçoou e fixou as bases do Moderno Método Científico. René Descartes (1596 – 1650) elaborou os fundamentos do Método Moderno – Método Cartesiano ou do Determinismo Mecanicista: “ o todo é conhecido a partir das partes que o compõem – Dedução Cartesiana. A experiência serve para confirmar os princípios gerais da razão”.
17. OS GRANDES PERÍODOS DA HISTÓRIA DA MEDICINA (Ribeiro,1993) - 1º. Pré-cartesiano (até o Sec.17) Teorias: Hipocrática- Galênica e do Contágio vivo.  Ruptura da influência mágico-religiosa, no processo da doença.  A abstração se sobrepõe à materialidade. A saúde é expressão do equilíbrio entre a quantidade e a qualidade dos humores do corpo (sangue, bile amarela, bile escura e fleuma ou linfa) que são renovados pela alimentação.  A natureza constrói, forma e cura. A qualidade da relação médico-paciente influencia o processo de cura.
18. TEORIA RACIONAL DO CONTÁGIO: 1546: Hieronymus Fracastorius (De contagionibus  et contagiosis morbis et eorum curatione) – Doutrina  do Contágium vivum.  “Contágio: substância liberada pelo corpo do doente que atinge outro indivíduo por contato direto ou indireto ou à distância por fômites (roupas usadas, lençóis) ou pelo ar causando doença – sífilis etc”.
19. 2º Período - Cartesiano ou do Racionalismo Científico. Método científico: Concepção reducionista e mecanicista. Priorização dos aspectos biológicos da saúde. O homem é uma máquina cuja peça avariada deve ser curada. A pessoa tem o controle passivo da sua saúde. Conseqüências: A visão mecanicista do organismo humano separa mente do corpo e cria o Modelo Biomédico de visão mecanicista.  Para atender a diferentes partes há necessidade de especialistas; Tratamento da doença e não da pessoa; Surgem 2 tipos de médicos: os que tratam o corpo (Clínicos) e os que tratam a mente – psiquiatras e psicólogos.
20. MODELO BIOPSÌQUICOSSOCIAL: Incorpora aos aspectos biológicos da saúde humana os aspectos psicológicos e sociais. Consequência: o indivíduo é mantido numa situação passiva. O seu papel no controle da sua saúde se encerra ao informar ao médico seus aspectos de foro social, psicológico e biológico.
21. 3º Período - PRIMEIRA REVOLUÇÂO DA SAÚDE  - Medidas preventivas. Final do séc. 18 – Revolução Industrial. Mudanças sociais e alteração no sistema de produção.  Êxodo do campo para as grandes cidades – precárias condições de habitabilidade e de salubridade – Degradação do ambiente urbano. Ocorrem grandes epidemias.
22. IDADE CONTEMPORÂNEA: 1789  -  Século XVIII - Ä Teoria Miasmática: Miasmas são emanações   de pântanos e do acúmulo de matéria orgânica em          decomposição que causam doenças.  Solu   - Melhoria do ambiente urbano;  Saneamento dos bairros pobres;  Medidas de Saúde Pública. John Snow (epidemia de cólera em Londres, 1849) defendia a possibilidade da ação de bioagentes no processo causal de doença. Epidemiologia: estudo da distribuição e dos determinantes das doenças, nas populações humanas.
23. 1861 – Pasteur põe abaixo a Teoria da Geração Espontânea. 1878 – Pasteur, Joubert e Chamberland expõem, na Academia de Ciências de Paris a Teoria dos germes ou Teoria                              Microbiana da Infecção. Ä Consequências:  Consolida-se a Bacteriologia: agentes biológicos específicos como determinantes de doenças.  Ignora-se, nos programas de Saúde Pública, a relação com o Ambiente. Firma-se o conceito de Unicasualidade. – TEORIA UNICAUSAL.(Barreto, 1990; Rosen, 1994).
24. Teoria Ecológica das Doenças Infecciosas ou Teoria da Multicasualidade: A doença infecciosa resulta da interação Agente x Hospedeiro, em um Ambiente multicausal ou de ordens físicas,  biológicas e sociais. (Barreto,1990).
25. Teoria da Nidalidade ou dos Focos Naturais de Pavlovsky: Há forte relação entre o Ambiente Natural e as Doenças. Foco natural: ambiente natural definido (biocenose) ou área determinada de terreno onde ocorre uma parasitose e todas as condições para a sua sobrevivência e transmissão.              Tripanosomíases; Leishmanioses; Esquistossomose.
26. * Marc Lalonde: Campo da Saúde - 4 fatores integram  ou determinam o processo Saúde-Doença:Biologia humana (Condições biológicas). Meio ambiente (Condições ambientais). Estilo de vida: alimentação: (quantidade e qualidade), fumo, lazer, sedentarismo, etc. Organização da Atenção à Saúde.
27. 4º Período - SEGUNDA REVOLUÇÂO DA SAÚDE (Richmond, 1979). * Priorização da Saúde e não do doente;* Retorno aos aspectos ecológicos;* Prevalência de doenças de etiologia portamental;Novos princípios e concepções. - O humanismo do médico é importante na recuperação do paciente (Nuland, 1988). - A espiritualidade pode promover efeitos positivos e negativos na recuperação do paciente, dependendo da abordagem do médico. (Lucchetti et allii – Rev. Bras. Clínica Médica, 2010.).
28. Ä Atenção Primária em Saúde: “é um conjunto de ações médicas, sociais de complexidade variável de acordo com os determinantes econômicos e sócio-culturais da comunidade mas sempre eficientes e eficazes que são postos à disposição do indivíduo, da família e da comunidade para promover, manter e recuperar a saúde”.Ä Ações:* Educação em Saúde* Sistemas simplificados de tratamento de água e esgoto.* Assistência Pré-natal e orientação  sobre planejamento familiar. Assistência materno-infantil e ao puerpério; * Assistência ao deficiente e ao idoso.* Vacinação, prevenção e controle de doenças endêmicas.
29. Carol J. Buck – amplia concepção de Ambiente: o  Entorno e seus fatores. Perigosos (obstáculos à Saúde) – violência, segurança nos meios de transporte, condições de risco no trabalho, ontaminação da água e do ar, etc. Protetores: alimentação, abrigo, lazer, etc.
30. MODELO HOLÍSTICO: objetiva o todo individual numa visão multidimensional que leve em conta as emoções, crenças, valores, cultura, genética, estilo de vida, reações psicológicas, etc.1926 – Jan Smuts concebe o modelo. 1967 – Arthur Koestler desenvolve 1986 – Capra aponta novos rumos para a saúde com esse paradígma.
31. Organização Mundial de Saúde, 1986: A Promoção da Saúde tem como pré-requesitos: a Paz, a Educação, a Moradia, Justiça,                 Alimentação, Renda, Equidade social  e um Ecossistema saudável”.
32. Pilares básicos do modelo: As pessoas devem assumir a responsabilidade do seu processo de cura e manutenção da sua saúde; Cabe às pessoas exercer o seu poder para restaurar e manter a sua aúde; Não eliminar a assistência ou orientação de outras pessoas mas tais relacionamentos devem ser de apoio, interação, mas não de dependência; As pessoas devem exercitar as técnicas que ativam e promovem a integração da dinâmica corpo – mente – espírito; O médico deve conhecer o doente para explicar-lhe a sua doença de forma a orientá-lo no tratamento por inteiro, em todas as suas dimensões, ajudando-o a buscar o seu equilíbrio global.
33. Diferentes concepções de Saúde/Doença ao longo da História Humana. A doença era castigo dos deuses ou expiação de faltas; A  doença resultava de desequilíbrio entre forças do corpo e da natureza, do contágio entre pessoas ou de emanações ambientais (miasmas). A doença tem como determinantes agentes vivos ou bioagentes – Unicasualidade. A doença é resultante da interação do hospedeiro com o agente patogênico em um ambiente multicausal de ordem física, biológica e social – Nidalidade ou Focos naturais. Promoção da Saúde – Campo da Saúde:(Biologia humana; Estilo de vida; Atenção primária.; Ambiente e entorno.Modelo Holístico – visão multidimensional: a Saúde Humana é o perfeito equilíbrio bio-psíquico-social.





quinta-feira, 15 de setembro de 2011

HISTÓRIA DA MEDICINA - HISTÓRIA DA DOENÇA.

1. O que é História?  É a ciência que estuda o homem na sua ação, no tempo e no espaço, analisando, ao mesmo tempo, os processos e eventos ocorridos , no passado, onde, na realização dos seus ancestrais, encontra os elementos da sua existência para poder compreender o presente.
*  O Fato histórico.
2. O PROCESSO DA APRENDIZAGEM:  Aprender é assimilar, transformar e incorporar informações e conhecimentos a partir de experiências passadas. (Processo histórico).
►Ações automáticas ou instintivas  e  Ações cuja prática vem do aprendizado.
3. OS MECANISMOS DE TRANSMISSÃO DA INFORMAÇÃO:  Oral; Pinturas rupestres,  fósseis; cerâmica, etc.;  Escrita (Sumérios);  Imprensa ( Guttenberg, 1440); Rádio; Mídia eletrônica.
4. O SER E SUAS PROPRIEDADES. O SER VIVO E O AMBIENTE: O homem e o ambiente.
* Mecanismos de sobrevivência:  Adaptação – preservação da vida e  Reprodução – perpetuação da espécie
* Os mecanismos adaptativos co-relacionados ao determinismo genético desenvolveram no homem o comportamento frente ao binômio prazer e dor.
5. ► O que é Saúde? É um estado de satisfatório bem estar que resulta do equilíbrio dinâmico, nas relações entre o ser vivo e o seu ambiente.
6. ► O que é Doença? É o estado que resulta da ação de agentes ou fatores ambientais quando alteram o equilíbrio do binômio  e o organismo perde a capacidade de recuperá-lo.
7. A DOENÇA AO LONGO DA HISTÓRIA - Períodos:
* Pré-história (Paleolítico e Neolítico).
* Idade Antiga (3.500 a.C. – 475 d.C.).
* Idade Média (475 – 1453).
* Moderna  (1453 – 1789)
* Contemporânea ( 1789 - ).
8. A DOENÇA NO PROCESSO EVOLUTIVO DO HOMEM -  A PRÉ-HISTÓRIA: Caçadores-coletores. (1.000.000 / 10.000 / 3.500 anos a.C.)
* Período Paleolítico
* Período Neolítico – Da Revolução agrícola à idade dos metais(cobre, bronze e ferro). 
   - Civilização.                                       
9. PALEOLÍTICO - A CULTURA DOS CAÇADORES-COLETORES. Características:
    * Grupos pequenos: 30 a 100 indivíduos; Grande mobilidade; Dieta rica e variada; Poucas doenças.
10. AS DOENÇAS E ACIDENTES DO PALEOLÍTICO: Fraturas; Acidentes por flechas; Neoplasias; Acidentes por animais peçonhentos e por outros animais durante a caça; Raquitismo e Osteomielite; Sífilis, malária, tuberculose;
11. NEOLÍTICO - (10.000 – 3.500 a.C.): Características:
- Inicia o processo de estabelecimento de grupos sociais – sedentarismo.  
- Agricultura: revolução agrícola (domesticação de cultivares como trigo, cevada, centeio, arroz; de animais como gado, porco, aves.
- Expansão do crescimento populacional: disponibilidade de mão de obra.
12. Conseqüências: Aumento da incidência de doenças devido a:
   * Poluição do solo e da água potável por dejetos humanos         e de animais.
   * Adubação do solo. (vírus, protozoários, bactérias).
   * Acúmulo ambiental de lixo ( moscas, ratos).
   * Maior contato com insetos ( moscas, mosquitos, pulgas, piolhos - vetores de patógenos).
13. IDADE ANTIGA – Período da civilização (3.500 – 476 d.C.) - CARACTERÌSTICAS: Revolução urbana – Primeiras cidades; Organização do Estado – Civilização;     Crescimento e maior densidade populacional – estratificação social –concentração de  bens de produção – escassez de alimentos – doenças carenciais e infecciosas; Residências insalubres e  falta de saneamento básico.
14. Evolução da Medicina: Abstração e Materialidade.
► Da indiferença às conjecturas – Medicina arte.
► A Medicina ao longo do tempo.
                        - Medicina Divina ou Mágico-religiosa
                        - Medicina Racional ou empírica
                        - Medicina oficial ou científica
15. MEDICINA MÁGICO-RELIGIOSA: (2.500 anos a.C. – Civilização do Nilo, Índia e na Mesopotâmica: Suméria, Babilônia e Assíria).
- Possessão de demônios, de espíritos dos mortos, de espíritos do mal, indignação e castigo dos deuses ; Ação de agentes externos como o frio, mal cheiro ou poeiras.
16. A MEDICINA RACIONAL DOS GREGOS: O Ambiente.
* Teoria Hipocrática – Galênica: - Teoria Humoral ou dos 4 Humores (Escola Hipocrática, sec. IV a.C., com base na simbologia dos 4 elementos formadores do universo: ar, terra, fogo e água  de Empédocles da Escola Pitagórica).
17. * Humores: são substâncias existentes, no organismo, cujo equilíbrio é necessário para a manutenção da vida e da saúde: Sangue(fogo): armazenado no fígado é levado ao coração. Fleuma (ar): secreções mucosas – provêm do cérebro; Bile amarela (água): secretada pelo fígado; Bile negra (terra): produzida no baço e no estômago.
18. Tipos fisiológicos:  Sanguíneo: resistente, feliz, alegre, comunicativo; Fleumático: lento, indiferente; Colérico: irritado, hostil, bilioso; Melancólico: depressivo, triste, abatido.
  - Ao médico cabia recuperar o paciente retirando-lhe o humor em excesso (discrasia) para  restaurar o seu equilíbrio (eucrasia).
  - Métodos terapêuticos: Sangrias, purgativos, eméticos e clisteres. A dieta.
19. Galeno, sec.II d.C., restaura a doutrina hipocrática dos Humores e destaca a importância dos 4 temperamentos como causa de doenças. Essa doutrina orientou a prática médica até o sec. 19 quando Rudolf Virchow (1821-1902) estabeleceu as bases da Patologia Moderna: A Patologia Celular.
20. ► IDADE MÉDIA (475 – 1453).
1. Medicina Hipocrática – Galênica. A Medicina é fundamentada, na Teoria dos 04 humores que domina todo o período até o século XIX.
2. Medicina Monástica contribuição da Igreja à Medicina. Mosteiros como centros de excelência para estudos e práticas médico-farmacêuticas. Fundação de Hospitais e de Universidades(séc.XII).
3. Medicina Árabe – Obras de Avicena (980 – 1037).
21. Patologia celular: Teoria celular – Rudolf Virchow, 1858. “As doenças orgânicas resultam de alterações na célula que é a unidade fundamental do ser vivo e provem cada uma de outra da mesma linhagem normal ou patológica”.
22. Etapas evolutivas da Medicina: 1ª - Mágico-religiosa : Babilônia, Índia, Egito; 2ª - Ocorreu na Grécia, sec.IV a.C. Surge a Medicina Racional Hipocrática com a Teoria dos 4 humores. Materialidade do sistema saúde/doença. Em 1830 Mathias Schleiden e Theodor Schawann propõem a Teoria Celular; 3ª - Ocorreu no sec. XIX. A doença tem a sua base na dimensão celular: Rudolf Virchow, 1858; 4ª Ocorreu no sec. XX: A doença na dimensão molecular:  Descoberta dos estudos de Gregório Mendel; Thomas Morgan, 1910, Teoria Cromossômica da herança. Os genes estão nos cromossomas; Thomas Watson e Francis Crick, 1953, criam o modelo tridimensional do DNA. Genoma;  5ª A materialidade do binômio deverá ser encontrado nas dimensões sub-moleculares de prótons, neutrons, elétrons que sustentam as funções biológicas do homem e dos seres vivos.
23. Pilares da Medicina: Dolores lenire / Aegrotos sanare / Morbos arcere.  
24. “A História da Medicina é um ininterrupto  e permanente diálogo entre o presente e o passado do exercício médico gerado, na teoria e na experiência dos que nos precederam”.


domingo, 7 de agosto de 2011

Esquistossomose no Maranhão *

* Aymoré Alvim
1. A HISTÓRIA
          A história da esquistossomose mansônica remonta , aproximadamente, há mais de 1.500 anos a.C., conforme os exames conduzidos em múmias do antigo Egito. Para Lenzi, 1997, essa interação homem-Schistosoma parece ter começado, na África, há  80.000 anos atrás. (1)
          Muitos anos se passaram até a identificação do parasito por Theodor Bilharz, em 1852, quando trabalhava no Egito Ao concluir que se tratava de um trematódeo de sexos separados que tinha por habitat o ambiente intravascular, criou a espécie Distoma haematobia. Posteriormente, em 1858, Weiland observando a fenda longitudinal do macho a inclui, no gênero Schistosoma. Um ano depois, Diesing denomina a referida fenda de canal ginecóforo por servir para transportar a fêmea (2).
          Em 1892, Patrick Manson sugeriu a existência de duas espécies de Schistosoma parasitos do homem. Mas foi somente em 1907 que Sambon incluiu os trematódeos com ovos de espícula lateral, na espécie Schistosoma mansoni. Embora Looss haja se posicionado contrário às sugestões de Sambon, as dúvidas foram, definitivamente, esclarecidas por Pirajá da Silva após os trabalhos conduzidos, na Bahia, em 1908, confirmando as conclusões de Sambon.
          Após as observações de Miyaki e Suzuki, em 1913, confirmarem a presença do molusco, no ciclo evolutivo do parasito, Faust e cols. estudaram a sua passagem pelo hospedeiro vertebrado fechando, assim, o ciclo heteroxeno do S. mansoni. (3).

2. A INTRODUÇÃO NO MARANHÃO
          Introduzido no Estado, à época da colonização por africanos procedentes de áreas, posteriormente, reconhecidas como endêmicas da doença, o S. mansoni encontrou as condições bioecológicas favoráveis para se distribuir formando as duas atuais áreas de distribuição: a endêmica que compreende as microrregiões da Baixada e Litoral Norte Ocidental e a Focal formada por vários municípios onde são detectados focos de transmissão.
          Dos atuais 25 municípios que compõem a área endêmica, 7 apresentam prevalência superior a 6% enquanto a área Focal com baixas taxas de portadores, incorpora 27 municípios o que registra para o Maranhão um  índice de 6,9% (4).

3. OS PRIMEIROS CASOS REGISTRADOS
          Após os estudos conclusivos de Pirajá da Silva, em 1908, 12 anos depois os médicos Achilles Lisboa e Herbert Jansen relataram os 10 primeiros casos encontrados, no Maranhão, sendo 2 em São Luís e 8 em Cururupu. Este município, que ainda apresenta taxa de prevalência superior a 10%, está localizado na microrregião do Litoral Norte Ocidental onde estavam estabelecidas várias fazendas, nas quais trabalharam muitos escravos africanos, nas lavouras de cana-de-açucar e algodão.
          Posteriormente, em 1924, o Dr Attico Seabra, Chefe do Posto de Saúde de Cururupu, informou em relatório ao Diretor do Serviço de Saneamento e Profilaxia Rural do Estado, o diagnóstico de mais 13 casos no município.
          Nesse mesmo ano, Alvim e Fiquene, referem que o Dr. Thales Martins, ao examinar vísceras de soldados procedentes do Nordeste, inclusive do Maranhão, no Hospital Central do Exercito do Rio de Janeiro, encontrou casos de bilharziose. A estas informações foram acrescentados, em 1925, por Heraldo Maciel  a existência de um grande foco endêmico no Nordeste que abrangia o sudeste do Maranhão onde fora registrado taxa de 1,8%.
          Exames anatomo-patológicos de viscerotomias realizadas por Davis em 1934, por Evandro Chagas, em 1938 e por Madureira Pará em 1949 para o Programa de Controle da Febre Amarela reafirmaram a ocorrência da esquistossomose, no Estado.

4. BIBLIOGRAFIA.

1. LENZI, Henrique L et al. Immunological System and Schistosoma mansoni: Co-evolutionary Immunobiology. What is the eosinophil role in Parasite-host relationship? Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 92: Suppl.II: 19-32, 1997.
2. PESSOA, Samuel B. e MARTINS, Amílcar V. Pessoa Parasitologia Médica. Ed.10. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 1997.
3. KATZ, Naftale e ALMEIDA, Karine. Esquistossomose, Xistosa, Barriga D’Água. Cienc.Cult. 55(1): São Paulo, 2003.
4. MARANHÃO. Gerência de Qualidade de Vida. Programa de Controle da Esquistossomose, 2007.



terça-feira, 12 de julho de 2011

O “oxi” vem aí. Prof. Ruy Palhano. Prof. Psiquiatria/UFMA.

A grande imprensa brasileira tem se encarregado nas últimas semanas de nos informar sobre a presença sorrateira de mais um composto que vem sendo utilizado como substância de abuso. Trata-se de um composto excitante do cérebro obtido de uma das etapas de fabrico da cocaína, denominado de OXI, termo simplificado da palavra oxidado.
Apesar de só agora ser objeto de destaque da grande mídia, o uso da droga já é realizado há alguns anos, especialmente nos países andinos como Peru e Bolívia. No Brasil, há indícios de que o Acre foi o estado onde começou a circular a substância e hoje, a Polícia Federal já registra sua presença no Pará, Brasília, Rio de Janeiro e em alguns pontos de São Paulo.
É importante recordar que o processo de fabricação e refino da cocaína é longo e exige técnica apurada, embora rudimentar. Ocorre a adição de várias substâncias (solventes orgânicos) até obter-se a liberação do alcalóide contido nas folhas da coca. Sabe-se que, inicialmente, as folhas de coca são arrancadas dos pés e levadas a tendas escondidas na floresta, onde são trituradas com o auxílio de cortador de grama ou manualmente e armazenadas em pequenas quantidades para, em seguida, serem manipuladas.
Sobre as folhas são colocadas porções de cimento, usados na construção civil, e, em seguida, molha-se as folhas com uma mistura composta de soda cáustica, amônia e gasolina, por meio de um regador.
A outra etapa do processo é o pisoteio, por meio do qual se macera as folhas andando sobre elas por horas, ocasião em que se adiciona uma quantidade definida de cal virgem, matéria prima do gesso utilizada em pintura. Em seguida, permanecem pisoteando a mistura para adicionar gasolina, e, posteriormente, solução de ácido sulfúrico e, depois, de amônia. Deixam o composto descansar por algum tempo em tonéis, sendo o resultado dessa mistura a pasta básica, “basuco”, “basuca” ou ainda “free base”, expressão inglesa que significa base livre. Nesse momento do processo do fabrico, já se encontra uma quantidade grande de alcalóide (substância do pó de coca).
São adicionados posteriormente outros processos químicos, como acetona e outras substâncias para formar o famoso pó branco. Quando chega finalmente nas mãos dos traficantes, esse pó é misturado com vidro moído, fermento em pó, lidocaína, procaína, benzocaína, pó de giz, pó de mármore, dentre outros produtos, para, só então, ser colocado a venda, no tão disputado e perigoso mercado do tráfico.
É de se pensar sobre os milhões de viciados que se espalham pelas favelas e condomínios de luxo por todo o Brasil, que normalmente desenvolvem graves doenças mentais a ponto de se internarem em hospitais psiquiátricos. Imaginem as inúmeras doenças orgânicas que adquirem por conta de todos esses produtos químicos e impurezas utilizadas no complicado processo de fabricação da cocaína?
Os laboratórios clandestinos ainda empregam técnicas rudimentares para adquirirem a cocaína. Estima-se que 500 kg de folhas da coca são transformados em 2,5 kg de pasta de coca; 2,5 kg de pasta de coca viram 1 kg de sulfato base de cocaína; 1 kg de sulfato base destilado resulta em 1 kg de hidrocloridorato de cocaína (pó branco); 1kg de hidrocloridrato recebe a adição de talco e outros produtos e resulta em 12 kg de droga, que finalmente é vendido ao consumidor desavisado.
O Oxi, que é um subproduto dessa cadeia de fabricação. Ocorre, todavia, que a concentração de alcalóides é maior, considerando que o Oxi é obtido logo na fase pasta base (free-base), ocasião em que se adiciona gasolina e outros