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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

OS 400 ANOS DE MEDICINA NO MARANHÃO*

*José Márcio Soares Leite.

O filósofo Goethe (1749-1832) nos deixou o legado de que “nada sabe de sua arte aquele que lhe desconhece sua história”.
A história da medicina no Brasil passou pelo período colonial, empírico, pelo período imperial, onde destacamos a instalação das primeiras Escolas Médicas na Bahia e no Rio de Janeiro, e, depois, pela fase republicana, com os primeiros ensaios de prevenção das doenças, graças a Oswaldo Cruz e Emílio Ribas. Na fase atual, ressalta-se a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) pela Constituição Federal de 1988. É desse período também os modernos avanços técnico-científicos da medicina dita “armada”, tecnológica, onde pontificam as especializações médicas.
No Maranhão, destaca-se no período colonial, mais precisamente no momento da fundação da cidade de São Luis, a presença de um médico cirurgião francês, trazido na expedição de La Ravardière. Foi ele Thomas de Lastre. É também desse período o Hospital Militar, o mais antigo hospital de São Luís (Meireles. M. Dez Estudos Históricos), instalado ainda no começo do século XVII, na então chamada Rua do Hospital, e depois sucessivamente Rua do Hospital Velho (hoje de Sant’Ana), assim como o Hospital da Misericórdia (Obras de João Francisco Lisboa, Vol. IV. Vida e Obra do Padre Antonio Vieira), onde consta, até hoje, informe de que foi fundado pelo Padre Vieira em 1653 e que se mantinha graças à caridade pública.
No período imperial, foi inaugurado em 1º de março de 1814 o Hospital São José da Caridade dos Jesuítas, transformado a partir de 1836 em Santa Casa de Misericórdia do Maranhão. Já em 1862, foi inaugurado o Hospital Português pela Real Sociedade Humanitária 1º de Dezembro.
No período republicano foram construídos em São Luís/MA o complexo materno-infantil Maternidade Benedito Leite e o Hospital Infantil Juvêncio Mattos, assim como o Hospital Psiquiátrico Nina Rodrigues, o Hospital Aquiles Lisboa (para tratamento da hanseníase), o Hospital de Presidente Vargas (focado no tratamento da tuberculose), o Centro de Saúde Paulo Ramos e o Pronto Socorro Municipal. Nessa fase iniciou-se a interiorização da medicina com a instalação de hospitais nos municípios de Pedreiras, Barra do Corda e Coroatá primeiramente, e depois em Imperatriz, Bacabal, Santa Inês, Pinheiro, Chapadinha, Buriti, Presidente Dutra, Codó, Balsas, São João dos Patos, Buriticupu, Itapecuru-Mirim, Caxias e Timon.
O período atual é marcado, no Maranhão, pela expansão da rede pública de saúde, com a construção pelo Governo do Estado do Maranhão, por meio do Programa Saúde é Vida, da Secretaria de Estado da Saúde, de 72 novos hospitais e 10 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). E, no Brasil, pela consolidação das especialidades médicas, do uso dos modernos equipamentos de apoio diagnóstico, pelos transplantes de órgãos, pelo uso da terapia dita invasiva e pelos grandes avanços nos campos da imunogenética e da biologia molecular.
A Academia Maranhense de Medicina, fundada há 23 anos, ao lado de suas congêneres no Brasil, participa como indutora de todo esse processo de avanço técnico científico da medicina, sem descuidar das conquistas do passado, atuando como ponto de equilíbrio na indicação dos melhores caminhos a seguir. Lutar pela conservação dos postulados éticos e da cultura médica, a par da aceitação dos avanços técnico-científicos da medicina que não contrariem esses postulados, esta é a grande missão das Academias de Medicina.
Nesse contexto, não poderíamos esquecer os 400 anos da medicina do Maranhão, que se iniciou com o dr. Tomas de Lastre, que nos deu, inclusive, um exemplo de humanização da medicina, ao cuidar dos portugueses feridos na Batalha de Guaxemduba (Pianzola. M. Les Peroquets jaunes).
Assim, é louvável a iniciativa do Governo do Estado do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado da Saúde, de firmar uma parceria com a Academia Maranhense de Medicina e a Federação Brasileira de Academias de Medicina, para que seja realizado em julho de 2012 em São Luís, o I Congresso Maranhense de Medicina, o XIV Conclave Brasileiro das Academias de Medicina e o XXI Congresso Brasileiro de Cirurgia, oportunizando aos médicos dos mais distantes rincões do Maranhão e de São Luís, a interação com os colegas médicos dos mais avançados centros médicos do país e com a política nacional de saúde pública.
De minha parte, fico muito feliz de, como presidente da Academia de Medicina, juntamente com meus pares, poder participar deste grande evento histórico em que se estará homenageando os 400 anos da Medicina no Maranhão.
Professor Doutor em Ciências da Saúde e Presidente da Academia Maranhense de Medicina (AMM) e sócio efetivo das Sociedades Brasileira e Maranhense de História da Medicina
Publicado no jornal O Estado do Maranhão, de 25 de dezembro de 2011 (Domingo)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

XVII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISTÓRIA DA MEDICINA


 Será realizado, no período de 07 a 10 de novembro de 2012, nesta cidade de São Luís – Maranhão, o XVII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISTÓRIA DA MEDICINA E I CONGRESSO MARANHENSE DE HISTÓRIA DA MEDICIA.
Os eventos farão parte dos 400 anos de Medicina no Maranhão. Portanto, serão apresentados e discutidos temas referentes à Medicina no Estado desde o século 17, quando da sua criação, até o presente.
Os Congressos terão como público alvo não somente médico e estudantes de Medicina mas professores, outros profissionais e estudantes da área de saúde, como ainda,  de História, Geografia, Filosofia, Sociologia e quem mais se interessar pelo tema que realmente é muito abrangente. A História da Medicina Brasileira e, em particular, a do Maranhão são um vasto campo de estudo e pesquisa ainda bastante inexplorado.
Não percamos esta oportunidade.
Prof. Aymoré de Castro Alvim – Presidente dos Congressos.




sábado, 10 de dezembro de 2011

PEDRO JULIANO - MÉDICO E PAPA

ALVIM, A.C.; PIRES, A.M.S. & NASCIMENTO, M.D.S.B. aymore@elo.com.br   Telefone: 098 xx 3227-2654. Universidade Federal do Maranhão
Introdução – Na História da Medicina são encontrados vários eventos que a ligam à História da Igreja. A relação entre as duas remontam aos primeiros anos do Cristianismo se projetando ao longo da Idade Média com a fundação dos primeiros hospitais e universidades, e auxiliando no saneamento de várias regiões da Europa como um legado da Igreja à Medicina.
Material e Métodos – Revisão bibliográfica de artigos e livros referentes à História da Igreja.
Comentários e Conclusões - A bibliografia consultada nos põe a par da vida e obra de um médico que ocupou a Cátedra de Pedro, no período de 8 de setembro de 1276 a 20 de maio de 1277, com o nome de João XXI. Nascido em Lisboa, por volta de 1205, Pedro Juliano ou Pedro Hispano foi médico, filósofo, matemático e professor. Iniciou seus estudos, na escola episcopal da catedral de Lisboa, indo depois complementá-los na Universidade de Paris onde estudou Teologia e Medicina além de Lógica , Dialética, Física e Metafísica. Foi professor de medicina, na Universidade de Siena. Em 1261 recebeu as ordens sacerdotais e dentre os vários postos ocupados, na Igreja em Portugal, foi nomeado, em 1273, pelo papa Gregório X, arcebispo de Braga e, um ano depois, foi elevado ao cardinalato. O papa, em 1275, o nomeou seu principal médico. Eleito em setembro do ano seguinte dirigiu a Igreja até maio de 1277. João XXI foi um homem simples, de rara virtude e possuidor de vasta cultura. Morreu em decorrência de um acidente, no palácio apostólico de Viterbo, deixando muitas obras, inclusive no campo da medicina, onde se destacou pela grande repercussão, nas universidades européias, o tratado “De óculo” sobre oftalmologia e “Thesaurus pauperum” onde descreve várias doenças e suas curas com mais de cem edições e traduzido em doze idiomas.



segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Medicina e Humanismo

José Márcio Soares Leite*

Em recente trabalho de autoria do Dr. Dante Marcello Claramonte Galian, Diretor do Centro de História e Ciências da Saúde da Universidade de São Paulo-UNIFESP, sob o título a (Re)humanização da Medicina, este nos diz que “em sua origem a Medicina Ocidental era uma ciência essencialmente humanística” para prosseguindo citar Werner Jaeger em sua obra Paidéia.A Formação do Homem Grego ( 1995, p. 1001) – “de todas as ciências humanas então conhecidas, incluindo a Matemática e a Física, é a Medicina a mais afim da ciência ética de Sócrates”. Finalmente conclui “que esse humanismo da medicina desapareceu no século XX, pois ocorreram muitos progressos científicos nas ciências físicas, químicas e biológicas, aliados ao desenvolvimento tecnológico, e estes foram, cada vez mais, redirecionando a formação e a atuação do médico, modificando também sua escala de valores, pois à medida que o prestígio das ciências experimentais foi crescendo, o das ciências humanas esvanecia-se no meio médico. A medicina deixava de se apoiar nas ciências humanas para se sustentar, essencialmente, nas ciências exatas e biológicas” .

Em síntese, pelo que se depreende da leitura desse trabalho, o médico do século XIX, mais que um biólogo, mais que um naturalista, era fundamentalmente um humanista. Um sábio que na formulação de seu diagnóstico, levava em conta não apenas os dados biológicos, mas também os ambientais, culturais, sociológicos, familiares, psicológicos e espirituais. Era, portanto, antes de tudo um filósofo, um conhecedor das leis da natureza e da alma humana, ou seja, conhecedor dos avanços científicos de sua época no campo da clínica, da cirurgia, da patologia, da farmacologia, mas também um amante da literatura, da filosofia e da história.

É óbvio que, desde as sua origens, a medicina se fundamentou no estudo dos componentes biológicos do corpo para construir suas teorias, elaborar seus diagnósticos e determinar seus tratamentos, entretanto nunca em sua história como a partir desse período que se inicia ainda no século XIX e se estende até nossos dias, essa fundamentação chegou a ser tão absoluta e dogmática.

As descobertas ainda mais surpreendentes que ocorreram nas últimas décadas, principalmente, no âmbito da biologia celular e molecular, que ultimamente têm culminado nas pesquisas do genoma, parecem ter definitivamente confirmado a idéia de que a chave de todo o conhecimento médico está nas ciências experimentais.

Anuncia-se para dentro em breve o descobrimento das verdadeiras causas de todas ou pelo menos quase todas as doenças que flagelam a humanidade. E, desta forma, através de manipulações em nível genético, assim como por meio de precisos e eficazes tratamentos preventivos, poder-se-á prever, reverter e principalmente prevenir grande parte das doenças que nos espreitam, como o câncer, as deficiências imunológicas ou os distúrbios cardiovasculares.

A leitura do texto do Professor Galian, nos remete, de forma reflexiva, ao que nos deixou dito sobre humanismo e ciência o médico, professor, cientista e humanista Dr. Bacelar Portela, no seu discurso de posse na Academia Maranhense de Letras em 1950_ “Ensinaram-me que a vida era um simples jogo de fenômenos mecânicos e físico-químicos, de trocas entre o organismo e o meio. Assim, era incapaz de enriquecer de aquisições úteis, de nutrir os valores reais da pessoa humana; era incapaz de orientar o homem no sentido de dizer se a matéria devia ser olhada pelo prisma do espírito ou o espírito pelo prisma da matéria. Ensinaram-me, enfim, que era matéria e que era energia; que era massa, força viva e inércia; que era gravitação e campo magnético; que a ciência estava apta a saturar todos os valores e anseios do espírito humano, e que a filosofia se tinha reduzido a uma simples teoria do conhecimento, análise interior aos dados de experimentação. Não me disseram, porém, que a ciência, marchando para um pluralismo desnorteador e desintegrante, debatendo-se entre os conceitos de analogia e diferença, simultaneidade e seqüência, reversibilidade e irreversibilidade, simetria e assimetria, isotropismo e anisotropismo, quase esgotada na sua capacidade de conceituação, dividida entre as doutrinas da continuidade e descontinuidade do universo, não poderia subsistir sem a Filosofia” e o biólogo americano Francis Collins, um dos cientistas mais notáveis da atualidade. Diretor do Projeto Genoma e um dos responsáveis por um feito espetacular da ciência moderna: o mapeamento do DNA humano, no seu livro, recentemente lançado nos Estados Unidos The Language of God (A Linguagem de Deus), para quem “é possível aceitar as teorias de Darwin e ao mesmo tempo manter a fé religiosa”.

             A leitura do texto nos leva também a suscitar uma questão extremamente dialética:

            Será possível o médico atual, que exerce sua profissão apoiado no tecnicismo e mecanicismo da medicina dita científica, de equipamentos de ponta ou “armada”. Que utiliza como apoio diagnóstico a imunohistoquímica e nas suas pesquisas a imunogenética, que precisa para sobreviver andar num corre corre de serviço a serviço de saúde, todos com baixa remuneração, exercer essa prática médica de forma humano-científica como no século XIX ? Certamente que não.

 Nesse contexto, as Universidades, os Gestores da Saúde, as Academias de Medicina, os cientistas da saúde, os historiadores, os filósofos, os antropólogos, os psicólogos, os literatos, os pedagogos, professores e alunos de escolas médicas, precisam perceber que as ciências humanas têm muito a contribuir para o desenvolvimento das ciências da saúde e da medicina e que nunca como hoje se fez tão necessário uma reflexão histórico-filosófica para que se possa (re)humanizar a medicina e as ciências da saúde em geral.





* Médico. Membro da Soc. Maranhense de História da Medicina.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

UFMA concede as Palmas Universitárias 2011
Foram homenageados 45 servidores



Numa solenidade que contou com a presença de convidados, familiares e amigos, a Universidade Federal do Maranhão realizou a sua cerimônia anual de concessão de Palmas Universitárias, no auditório central da instituição. Estiveram presentes no evento o Reitor Natalino Salgado, o Vice-Reitor Antonio Oliveira, os Pró-Reitores de graduação, Aldir Carvalho, de pós-graduação, Fernando Carvalho, de Recursos Humanos, Elisa Borges, de Extensão, Antonio Luis Amaral e de Finanças, José Américo da Costa Barroqueiro.

Além dos participantes da comunidade acadêmica, alguns parceiros também receberam as Palmas como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Maranhão, IPHAN, Kátia Bogéa, o Banco do Brasil, João Avelar Matias Lopes, a Associação dos Amigos da UFMA, Alayde Pavão Lopes, a Fapema, Pedro Borges Pereira Santos, o Núcleo de Cultura Linguística, Maria de Sousa Belo, a Secretaria de Estado da Educação, João Francisco Batalha e a Secretaria Municipal de Saúde, Professor doutor Gutemberg Ferreira Araújo.

As Palmas Universitárias é uma comenda criada em 1986 para homenagear professores e funcionários que se dedicaram ou que dedicam parte da sua vida pelo desenvolvimento da Universidade, não somente como uma produtora de conhecimento, mas também, como a construtora de uma memória individual e, ao mesmo tempo, coletiva. Este foi o exemplo da cozinheira do Colégio Universitário, Iraneide Higino Passos Costa que, in memorian, teve seu nome lembrado para ser homenageado pela dedicação com que fazia a merenda escolar dos alunos do Colun. A Sua filha Vilma da Conceição Passos Castro foi quem, em nome da sua mãe, recebeu a homenagem, emocionando a todos os presentes. Assim aconteceu também com Cláudia Lobato Borges que recebeu as Palmas, in memorian, dadas ao seu pai Carlos Alberto Salgado Borges que foi coordenador do curso de medicina, entre outros cargos que exerceu ao longo de sua vida até a sua morte.

Outra homenageada, Maria José Meireles de Moraes, recebeu as Palmas Universitárias porque deu um exemplo único no serviço público: mesmo com tempo para se aposentar continua trabalhando no setor de qualidade de vida colaborando para a qualidade do serviço público, assim como a Professora Maria Ieda, da área de educação, que continua exercendo funções ou Marly Abdalla que em várias funções ajudou a construir o projeto Uniti, Universidade da Terceira Idade e que recebeu o prêmio Construtora da História.

O Presidente da Assuma, Sérgio Gonsorioski , escolhido para representar os servidores falou sobre o cenário atual da UFMA elogiando o trabalho da atual equipe e, dedicou as suas Palmas para sua esposa que está fazendo tratamento de saúde em São Paulo. Já o Professor Doutor Arão Paranaguá de Santana ressaltou a simbologia da homenagem e a singularidade do seu nascimento: no dia do professor e filho de dois professores, apreciador e professor de artes e do ensino das artes como ensino. Para ele, as Palmas representam muito por conta do momento em que vive a UFMA, não somente por sua expansão física, mas pelas condições de ensino, de pesquisa e de extensão e ainda pelas condições políticas e culturais que precisam ser estimuladas para reduzir as desigualdades que aparecem na cultura maranhense.

No seu discurso, o magnífico reitor destacou novamente a palavra gratidão para falar que “as palmas universitárias têm nome apropriado e fazê-lo publicamente é dever àqueles que são dignos dela. Interessante é que no sentido literal, as folhas de palma também significam vitória e martírio. Neste momento solene e ansiosamente aguardado por todos nós, ficaremos apenas com o primeiro sentido, embora seja sabido que nenhuma vitória nasce sem sofrimento, sem dedicação e esforço. Não poucas vezes à custa do afastamento familiar, da perda de sono, do cansaço. E dizemos que todo este dispêndio só dá sabor ao que se consegue”, disse.


http://www.ufma.br/noticias/noticias.php?cod=11533

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

NOTÍCIAS SMHM

POSSE DO PROFESSOR NATALINO FILHO

            Após quatro anos à frente da Universidade Federal do Maranhão, o professor Natalino Salgado Filho, reeleito Reitor pela comunidade Universitária, tomou posse, no dia 11 do mês corrente, no Gabinete do Ministro da Educação em Brasília.

            Na sexta-feira passada, o professor Natalino Filho reassumiu as suas funções, em solenidade que teve lugar no auditório central do Campus do Bacanga, na presença de conselheiros e autoridades universitárias, do Sr. Vice-Governador, de Secretários de Estado e membros da comunidade universitária e de movimentos culturais.

            No seu discurso de agradecimento, o Sr. Reitor enfatizou a luta que vem travando pela melhoria das condições físicas nos diferentes Campi da UFMA a fim de oferecer um saudável ambiente de trabalho e de suporte técnico onde professores e alunos possam desenvolver o seu trabalho.

            Nós que fazemos a Sociedade Maranhense de História da Medicina nos associamos às homenagens prestadas ao professor Natalino Filho, membro fundador e efetivo desta entidade, augurando-lhe votos de pleno êxito na jornada a fim de que realize o seu grande sonho: uma grande Universidade para o Maranhão.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

AMBIENTE E DOENÇA - Aula de História da Medicina.

1. “Os seres vivos são formas de organização da matéria que se desenvolveram, historicamente, em função de determinadas condições do meio”. ( Rey, L.).
2. MEIO AMBIENTE – “é o conjunto de condições, leis, influências e infra-estrutura de ordem física, química e biológica que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”.
3. O AMBIENTE: FÍSICO: Fatores geográficos ou físicos / BIOLÓGICO: Fatores biológicos – Biota / SOCIAL: Fatores sociais e humanos.  O SISTEMA ECOLÓGICO OU ECOSSISTEMA.
4. Ecossistema: é  uma organização complexa formada por todos  os organismos que vivem e interagem entre si, em determinada região,  e pelos fatores abióticos que agem sobre eles.
5. Mecanismos adaptativos: “são instrumentos próprios dos seres vivos que se expressam pela sensibilidade manifesta às variações ambientais com produção de respostas bioquímicas e fisiológicas capazes de corrigir os mínimos desequilíbrios dinâmicos resultantes do processo interativo”.
6. ADAPÇÃO X SAÚDE X DOENÇA: Os mecanismos adaptativos co-relacionados ao determinismo genético desenvolveram, no homem, 2 estados frente ao binômio prazer e dor: Saúde e  Doença.
7. A DOENÇA COMO RESULTANTE DAS INTERAÇÕES DE GRUPOS HUMANOS COM O SEU AMBIENTE. A  DINÂMICA DA EMERGÊNCIA DAS DOENÇAS E O AMBIENTE.
8. Fatores Globais:  Aquecimento global – efeito estufa; Poluição do ar; Camada de ozônio;   Alterações na biodiversidade.
9. FATORES AMBIENTAIS: Poluição ambiental ( água, solo, ar ) / Degradação do ambiente doméstico e do Trabalho.
10. FATORES SOCIAIS: Degradação do ambiente social – ( falta de moradia, de boa educação, de lazer, de trabalho, de segurança  -  os problemas do entorno: A violência.
11. O QUE É DOENÇA?“É um desajustamento ou falha nos mecanismos de adaptação do organismo ou a ausência de reação aos estímulos a cuja ação está exposto”.  (Jenicek & Cléroux).
13. EVOLUÇÃO HISTÓRICA  DO BINÔMIO DE SAÚDE – DOENÇA. ELEMENTOS ESSENCIAIS: Natureza e Estrutura  e Funções do Corpo. Tipos de relação: Corpo – Espírito  e  Pessoa – Ambiente.
14. CONCEPÇÕES DA MEDICINA AO LONGO DA HISTÓRIA  (Meyers & Benson, 1992). 1.Concepção Ontológica da Doença: As doenças são causadas pela invasão do organismo por  “entidades” externas que vão se alojar em diferentes partes. ( Medicina Mágico-Religiosa da Mesopotâmia e Egito Antigo).  2. Concepção Fisiológica: As doenças decorrem do desequilíbrio entre forças naturais  que ocorrem dentro e fora das pessoas. Hipócrates ( 460 a.C.) – Teoria dos 4 Humores. Medicina da Índia ( éter ou vazio, vento, fogo, água e terra). Medicina Chinesa - princípios  básicos do universo: Yang-Yin..
15. VERTENTES DE EVOLUÇÃO DA DOENÇA, NA HISTÓRIA DA MEDICINA. Medicina Divina, mágico-religiosa ou ontológica – doenças são causadas por “entidades” externas que vão se localizar em diferentes partes do corpo. Egito antigo, Mesopotâmia. Medicina Empírica ou fisiológica : as doenças ocorrem por desequilíbrio entre forças naturais dentro e fora das pessoas. Grécia antiga, Índia, China. Medicina oficial  (Empírica ) – Galênica. * Medicina Científica ( O método científico – Galileu, Francis Bacon e Descarte).
16. O Método científico – conjunto de regras básicas que orienta o procedimento para obtenção do conhecimento científico. Concebido por Roger Bacon (1220 – 1292) norteou o pensamento científico até fins do século XIX: a experimentação é fonte de conhecimento. Francis Bacon (1561 – 1626)influenciado pelos trabalhos de Copérnico e Galileu aperfeiçoou e fixou as bases do Moderno Método Científico. René Descartes (1596 – 1650) elaborou os fundamentos do Método Moderno – Método Cartesiano ou do Determinismo Mecanicista: “ o todo é conhecido a partir das partes que o compõem – Dedução Cartesiana. A experiência serve para confirmar os princípios gerais da razão”.
17. OS GRANDES PERÍODOS DA HISTÓRIA DA MEDICINA (Ribeiro,1993) - 1º. Pré-cartesiano (até o Sec.17) Teorias: Hipocrática- Galênica e do Contágio vivo.  Ruptura da influência mágico-religiosa, no processo da doença.  A abstração se sobrepõe à materialidade. A saúde é expressão do equilíbrio entre a quantidade e a qualidade dos humores do corpo (sangue, bile amarela, bile escura e fleuma ou linfa) que são renovados pela alimentação.  A natureza constrói, forma e cura. A qualidade da relação médico-paciente influencia o processo de cura.
18. TEORIA RACIONAL DO CONTÁGIO: 1546: Hieronymus Fracastorius (De contagionibus  et contagiosis morbis et eorum curatione) – Doutrina  do Contágium vivum.  “Contágio: substância liberada pelo corpo do doente que atinge outro indivíduo por contato direto ou indireto ou à distância por fômites (roupas usadas, lençóis) ou pelo ar causando doença – sífilis etc”.
19. 2º Período - Cartesiano ou do Racionalismo Científico. Método científico: Concepção reducionista e mecanicista. Priorização dos aspectos biológicos da saúde. O homem é uma máquina cuja peça avariada deve ser curada. A pessoa tem o controle passivo da sua saúde. Conseqüências: A visão mecanicista do organismo humano separa mente do corpo e cria o Modelo Biomédico de visão mecanicista.  Para atender a diferentes partes há necessidade de especialistas; Tratamento da doença e não da pessoa; Surgem 2 tipos de médicos: os que tratam o corpo (Clínicos) e os que tratam a mente – psiquiatras e psicólogos.
20. MODELO BIOPSÌQUICOSSOCIAL: Incorpora aos aspectos biológicos da saúde humana os aspectos psicológicos e sociais. Consequência: o indivíduo é mantido numa situação passiva. O seu papel no controle da sua saúde se encerra ao informar ao médico seus aspectos de foro social, psicológico e biológico.
21. 3º Período - PRIMEIRA REVOLUÇÂO DA SAÚDE  - Medidas preventivas. Final do séc. 18 – Revolução Industrial. Mudanças sociais e alteração no sistema de produção.  Êxodo do campo para as grandes cidades – precárias condições de habitabilidade e de salubridade – Degradação do ambiente urbano. Ocorrem grandes epidemias.
22. IDADE CONTEMPORÂNEA: 1789  -  Século XVIII - Ä Teoria Miasmática: Miasmas são emanações   de pântanos e do acúmulo de matéria orgânica em          decomposição que causam doenças.  Solu   - Melhoria do ambiente urbano;  Saneamento dos bairros pobres;  Medidas de Saúde Pública. John Snow (epidemia de cólera em Londres, 1849) defendia a possibilidade da ação de bioagentes no processo causal de doença. Epidemiologia: estudo da distribuição e dos determinantes das doenças, nas populações humanas.
23. 1861 – Pasteur põe abaixo a Teoria da Geração Espontânea. 1878 – Pasteur, Joubert e Chamberland expõem, na Academia de Ciências de Paris a Teoria dos germes ou Teoria                              Microbiana da Infecção. Ä Consequências:  Consolida-se a Bacteriologia: agentes biológicos específicos como determinantes de doenças.  Ignora-se, nos programas de Saúde Pública, a relação com o Ambiente. Firma-se o conceito de Unicasualidade. – TEORIA UNICAUSAL.(Barreto, 1990; Rosen, 1994).
24. Teoria Ecológica das Doenças Infecciosas ou Teoria da Multicasualidade: A doença infecciosa resulta da interação Agente x Hospedeiro, em um Ambiente multicausal ou de ordens físicas,  biológicas e sociais. (Barreto,1990).
25. Teoria da Nidalidade ou dos Focos Naturais de Pavlovsky: Há forte relação entre o Ambiente Natural e as Doenças. Foco natural: ambiente natural definido (biocenose) ou área determinada de terreno onde ocorre uma parasitose e todas as condições para a sua sobrevivência e transmissão.              Tripanosomíases; Leishmanioses; Esquistossomose.
26. * Marc Lalonde: Campo da Saúde - 4 fatores integram  ou determinam o processo Saúde-Doença:Biologia humana (Condições biológicas). Meio ambiente (Condições ambientais). Estilo de vida: alimentação: (quantidade e qualidade), fumo, lazer, sedentarismo, etc. Organização da Atenção à Saúde.
27. 4º Período - SEGUNDA REVOLUÇÂO DA SAÚDE (Richmond, 1979). * Priorização da Saúde e não do doente;* Retorno aos aspectos ecológicos;* Prevalência de doenças de etiologia portamental;Novos princípios e concepções. - O humanismo do médico é importante na recuperação do paciente (Nuland, 1988). - A espiritualidade pode promover efeitos positivos e negativos na recuperação do paciente, dependendo da abordagem do médico. (Lucchetti et allii – Rev. Bras. Clínica Médica, 2010.).
28. Ä Atenção Primária em Saúde: “é um conjunto de ações médicas, sociais de complexidade variável de acordo com os determinantes econômicos e sócio-culturais da comunidade mas sempre eficientes e eficazes que são postos à disposição do indivíduo, da família e da comunidade para promover, manter e recuperar a saúde”.Ä Ações:* Educação em Saúde* Sistemas simplificados de tratamento de água e esgoto.* Assistência Pré-natal e orientação  sobre planejamento familiar. Assistência materno-infantil e ao puerpério; * Assistência ao deficiente e ao idoso.* Vacinação, prevenção e controle de doenças endêmicas.
29. Carol J. Buck – amplia concepção de Ambiente: o  Entorno e seus fatores. Perigosos (obstáculos à Saúde) – violência, segurança nos meios de transporte, condições de risco no trabalho, ontaminação da água e do ar, etc. Protetores: alimentação, abrigo, lazer, etc.
30. MODELO HOLÍSTICO: objetiva o todo individual numa visão multidimensional que leve em conta as emoções, crenças, valores, cultura, genética, estilo de vida, reações psicológicas, etc.1926 – Jan Smuts concebe o modelo. 1967 – Arthur Koestler desenvolve 1986 – Capra aponta novos rumos para a saúde com esse paradígma.
31. Organização Mundial de Saúde, 1986: A Promoção da Saúde tem como pré-requesitos: a Paz, a Educação, a Moradia, Justiça,                 Alimentação, Renda, Equidade social  e um Ecossistema saudável”.
32. Pilares básicos do modelo: As pessoas devem assumir a responsabilidade do seu processo de cura e manutenção da sua saúde; Cabe às pessoas exercer o seu poder para restaurar e manter a sua aúde; Não eliminar a assistência ou orientação de outras pessoas mas tais relacionamentos devem ser de apoio, interação, mas não de dependência; As pessoas devem exercitar as técnicas que ativam e promovem a integração da dinâmica corpo – mente – espírito; O médico deve conhecer o doente para explicar-lhe a sua doença de forma a orientá-lo no tratamento por inteiro, em todas as suas dimensões, ajudando-o a buscar o seu equilíbrio global.
33. Diferentes concepções de Saúde/Doença ao longo da História Humana. A doença era castigo dos deuses ou expiação de faltas; A  doença resultava de desequilíbrio entre forças do corpo e da natureza, do contágio entre pessoas ou de emanações ambientais (miasmas). A doença tem como determinantes agentes vivos ou bioagentes – Unicasualidade. A doença é resultante da interação do hospedeiro com o agente patogênico em um ambiente multicausal de ordem física, biológica e social – Nidalidade ou Focos naturais. Promoção da Saúde – Campo da Saúde:(Biologia humana; Estilo de vida; Atenção primária.; Ambiente e entorno.Modelo Holístico – visão multidimensional: a Saúde Humana é o perfeito equilíbrio bio-psíquico-social.