Páginas

segunda-feira, 19 de março de 2012

O USO DE ENERGÉTICOS COM ÁLCOOL. GRANDE PERIGO À SAÚDE

Ruy Palhano Silva, Psiquiatra, AMM, SMHM.

De uns anos para cá virou moda o uso de energéticos entre pessoas jovens. Em festas e em muitas outras atividades recreativas o tubo desta bebida é uma companhia inseparável nestas ocasiões pra muita gente. Em geral são produtos consumidos isoladamente, ou associados à bebida alcoólica. Muitos alegam que usam estas substâncias por vários motivos, entre os quais para melhorar a performance nos estudos, em ocasiões de provas, concursos ou simplesmente para ficarem acordados e permanecer nas baladas. Enfim, não faltam motivos para tomar essas substâncias. Só à guisa de informação, energéticas são substâncias à base de carboidratos, ricas em calorias, em geral, utilizadas para repor as energias ocasionadas na prática de atividades físicas, mentais ou outras. São substâncias que repõem as calorias ocorridas nestas atividades. Porém, a corrida desenfreada no consumo desses produtos frequentemente não se verifica por esta razão. Os usuários vão atrás dos efeitos excitatórios e não energéticos das substâncias, havendo um equívoco do ponto de vista nutricional, pois poderiam ser também designados de excitantes e não energéticos, o que seria o mais correto. Atualmente há no mercado brasileiro mais de cem marcas, movimentando mais de 74,3 milhões de latas de 250 ml por ano, com faturamento de mais de 508 milhões de reais pelos fabricantes. Portanto, um mercado altamente promissor e lucrativo. O Brasil é o quinto mercado mundial do produto em valor e, em volume, o crescimento entre 2009 e 2010 foi de 30%. Uma das principais marcas, a Red Bull, produziu em 2010 4,204 bilhões de latas vendidas no mundo, o que equivale a quase 8.000 latas produzidas por minuto. Ocorre que têm surgido no mundo inteiro muitos trabalhos, demonstrando que o uso excessivo dessas substâncias é nocivo a saúde especialmente quando associado com bebida alcoólica. Recentemente foi publicado um trabalho da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, relacionando o consumo de energéticos com o aumento dos riscos de beberem além da conta e o fato de funcionar como gatilho para desenvolver alcoolismo. Os resultados da pesquisa serão publicados na revista científica Alcoholism: Clinical & Experimental Research. Os usuários de energéticos e álcool acreditam que o efeito excitante da cafeína presente em altas concentrações nos energéticos neutralizaria o efeito depressor do álcool etílico, porém se sabe hoje que isto não é verdade. A cafeína simplesmente reduz a sensação de sonolência causada pelo álcool, mas não a "lerdeza" causada pela embriaguez. Em outras palavras, a sensação letárgica ou sedativa profunda do álcool não é afetada pela ação da cafeína, diz este estudo. Os pesquisadores concluíram que indivíduos que consomem energéticos frequentemente, em torno de 52 vezes ou mais em um ano, se tornam mais propensos a desenvolverem três grandes disfunções: ficarem facilmente mais embriagados; a beberem maiores quantidades de álcool, e a desenvolverem mais facilmente dependência alcoólica (alcoolismo), do que aqueles que não consomem ou utilizam estes produtos com menor frequência. Por isso, urge que a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA tome medidas urgentes e adequadas para o controle rigoroso do consumo destes produtos,impedindo com isto que a população jovem, consumidores excessivo destes energéticos, adquiram mais problemas de saúde ao se exporem ao consumo dessas gororobas e embustes industriais que não acrescentam nada de bom à saúde.


quarta-feira, 14 de março de 2012

PRÊMIO CARLOS DA SILVA LACAZ


Monografias sobre História da Medicina
(Promovido pela Sociedade Brasileira de História da Medicina)

REGULAMENTO

Art. 1º - A Sociedade Brasileira de História da Medicina objetivando estimular uma melhor compreensão da História da Medicina e de seu papel na humanização do médico instituiu o “Prêmio Carlos da Silva Lacaz” de Monografias sobre História da Medicina em 2006. O Prêmio de 2012 é regido por este Regulamento.

Parágrafo Único: Por definição, Monografia sobre este assunto será considerada um trabalho escrito, em prosa livre, acerca de determinado ponto da história da medicina, versando sobre um tema específico, sem esgotá-lo, reunindo dissertações menores que as de um tratado feito em profundidade. O tema pode abordar qualquer situação (acontecimentos, descobertas, biografias, doenças, especialidades médicas, analogias etc...) relacionada à História da Medicina.
Qualquer divergência com o assunto estabelecido, a critério da Comissão Julgadora, poderá implicar na desclassificação do trabalho.

Art. 2° - Cada concorrente só poderá inscrever uma única monografia, podendo ser realizada individualmente ou em dupla.

Art. 3° - O concurso destina-se a estudantes de medicina.

Parágrafo Primeiro: Todos os participantes receberão certificados de participação.

Parágrafo Segundo: A Comissão Julgadora concederá como prêmio às três primeiras monografias melhor classificadas, o prêmio constará de livros de história da medicina, certificado e medalha correspondente, bem como, qualificação como membro acadêmico da Sociedade Brasileira de História da Medicina para o período 2012-2013 e inscrição para o XVIII Congresso Brasileiro de História da Medicina para cada um dos autores.

Parágrafo Terceiro: Um número de monografias selecionadas, a ser definido posteriormente pela Comissão Julgadora, fará jus à publicação no Jornal da Sociedade Brasileira de História da Medicina.

Art. 4° - Os trabalhos deverão ser apresentados em língua portuguesa, contendo no mínimo 3 (três) e no máximo 6 (seis) páginas, tamanho A4 (210mmX297mm) (sem considerar gráficos, tabelas, quadros ou ilustrações), com 31 (trinta e uma) linhas digitadas por página (margens superior, inferior, direita e esquerda de 2,5 cm (dois e meio centímetros), espaço entre linhas de 1,5 cm, letra Times New Roman – corpo 12. Deverão conter resumo e abstract com aproximadamente 10 (dez) linhas cada, bem como referências bibliográficas, elaboradas de forma completa e precisa, rigorosamente conforme as Normas do JBHM – Jornal Brasileiro de História da Medicina (vide sitewww.sbhm.org.br).


Art. 5° - Os trabalhos deverão ser apresentados em meio digital (CD-ROM) acompanhados de 4 (quatro) vias impressas e identificados por título e pseudônimo do autor.
Deve acompanhar as 4 (quatro) vias do trabalho um envelope lacrado, identificado pelo pseudônimo, contendo nome completo, número do CPF e RG, xerox da carteira de estudante ou comprovante de vínculo estudantil junto à instituição de ensino médico, endereço residencial completo, endereço eletrônico, telefones e as informações curriculares que julgar necessárias (no máximo duas laudas) e a ficha de inscrição obtida através do site da SBHM (www.sbhm.org.br) abaixo do regulamento e impressa pelo candidato devidamente preenchida e assinada anexando ao material a ser enviado dentro do envelope lacrado.


Parágrafo Único: Os envelopes lacrados somente poderão ser abertos após o julgamento e a classificação dos trabalhos, na presença de representantes da Comissão Organizadora do Concurso, com a finalidade de verificar a prerrogativa dos concorrentes, proclamar e divulgar os resultados finais do certame.

Art. 6° - As inscrições e envio dos trabalhos deverão ser feitas até o dia 06 de setembro de 2012.

Inciso Primeiro: Os trabalhos deverão ser enviados por correio ao seguinte endereço:
“PRÊMIO CARLOS DA SILVA LACAZ”
Rua T – 48, 686, apartamento 101, setor Bueno.
Goiânia - Goiás. CEP: 74.210-190.

Inciso Segundo: Para fins de aceitação de inscrições pelo correio será considerada a data da postagem. A Coordenação do Concurso não se responsabilizará por trabalhos extraviados pelos correios e que eventualmente não cheguem ao destino dentro dos prazos de vigência do Concurso.

Art. 7° - Para julgar os trabalhos concorrentes a Sociedade Brasileira de História da Medicina designará uma Comissão Julgadora formada por três membros.

Parágrafo Primeiro: À Comissão Julgadora será dada a responsabilidade de avaliar os trabalhos considerando: criatividade, redação, português, forma de abordagem e seu valor como contribuição para a área.

Parágrafo Segundo: Aos integrantes da Comissão Julgadora não caberá ônus ou pró-labore pela sua participação.

Parágrafo Terceiro: A decisão da Comissão Julgadora será soberana, não cabendo contra ela quaisquer recursos.

Parágrafo Quarto: Concluídos os trabalhos e divulgados os resultados do Concurso, a Comissão Julgadora tornar-se-á automaticamente extinta.

Art. 8° - Os resultados serão divulgados no site da Sociedade Brasileira da História da Medicina (www.sbhm.org.br) no dia 21 de outubro de 2012.

Art. 9° - A premiação dar-se-á durante a realização da Solenidade de Abertura do XVII Congresso Brasileiro de História da Medicina, na sessão solene de abertura, na cidade de São Luís –MA.,, em 07 de novembro de 2012, cabendo ao participante arcar com as despesas de transporte, hospedagem e alimentação. Nesta ocasião serão também premiadas as Faculdades de Medicina às quais pertencerem os três primeiros colocados. O prêmio para as Faculdades será composto de Menção Honrosa e da Medalha relacionada ao Prêmio.

Art. 10° - Os trabalhos, premiados ou não, a critério dos instituidores, poderão ser objeto de publicação, sempre com crédito para os autores, sem que caibam a estes quaisquer reivindicações no campo do direito autoral.

Art. 11° - A participação no Concurso implica na total aceitação deste regulamento por parte do candidato.

Art. 12° - Os casos omissos neste regulamento serão decididos pelo Presidente da Sociedade Brasileira de História da Medicina em comum acordo com a Comissão Julgadora.

Dr. Jairo Furtado Toledo
Presidente da
Sociedade Brasileira de História da Medicina

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

OS 400 ANOS DE MEDICINA NO MARANHÃO*

*José Márcio Soares Leite.

O filósofo Goethe (1749-1832) nos deixou o legado de que “nada sabe de sua arte aquele que lhe desconhece sua história”.
A história da medicina no Brasil passou pelo período colonial, empírico, pelo período imperial, onde destacamos a instalação das primeiras Escolas Médicas na Bahia e no Rio de Janeiro, e, depois, pela fase republicana, com os primeiros ensaios de prevenção das doenças, graças a Oswaldo Cruz e Emílio Ribas. Na fase atual, ressalta-se a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) pela Constituição Federal de 1988. É desse período também os modernos avanços técnico-científicos da medicina dita “armada”, tecnológica, onde pontificam as especializações médicas.
No Maranhão, destaca-se no período colonial, mais precisamente no momento da fundação da cidade de São Luis, a presença de um médico cirurgião francês, trazido na expedição de La Ravardière. Foi ele Thomas de Lastre. É também desse período o Hospital Militar, o mais antigo hospital de São Luís (Meireles. M. Dez Estudos Históricos), instalado ainda no começo do século XVII, na então chamada Rua do Hospital, e depois sucessivamente Rua do Hospital Velho (hoje de Sant’Ana), assim como o Hospital da Misericórdia (Obras de João Francisco Lisboa, Vol. IV. Vida e Obra do Padre Antonio Vieira), onde consta, até hoje, informe de que foi fundado pelo Padre Vieira em 1653 e que se mantinha graças à caridade pública.
No período imperial, foi inaugurado em 1º de março de 1814 o Hospital São José da Caridade dos Jesuítas, transformado a partir de 1836 em Santa Casa de Misericórdia do Maranhão. Já em 1862, foi inaugurado o Hospital Português pela Real Sociedade Humanitária 1º de Dezembro.
No período republicano foram construídos em São Luís/MA o complexo materno-infantil Maternidade Benedito Leite e o Hospital Infantil Juvêncio Mattos, assim como o Hospital Psiquiátrico Nina Rodrigues, o Hospital Aquiles Lisboa (para tratamento da hanseníase), o Hospital de Presidente Vargas (focado no tratamento da tuberculose), o Centro de Saúde Paulo Ramos e o Pronto Socorro Municipal. Nessa fase iniciou-se a interiorização da medicina com a instalação de hospitais nos municípios de Pedreiras, Barra do Corda e Coroatá primeiramente, e depois em Imperatriz, Bacabal, Santa Inês, Pinheiro, Chapadinha, Buriti, Presidente Dutra, Codó, Balsas, São João dos Patos, Buriticupu, Itapecuru-Mirim, Caxias e Timon.
O período atual é marcado, no Maranhão, pela expansão da rede pública de saúde, com a construção pelo Governo do Estado do Maranhão, por meio do Programa Saúde é Vida, da Secretaria de Estado da Saúde, de 72 novos hospitais e 10 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). E, no Brasil, pela consolidação das especialidades médicas, do uso dos modernos equipamentos de apoio diagnóstico, pelos transplantes de órgãos, pelo uso da terapia dita invasiva e pelos grandes avanços nos campos da imunogenética e da biologia molecular.
A Academia Maranhense de Medicina, fundada há 23 anos, ao lado de suas congêneres no Brasil, participa como indutora de todo esse processo de avanço técnico científico da medicina, sem descuidar das conquistas do passado, atuando como ponto de equilíbrio na indicação dos melhores caminhos a seguir. Lutar pela conservação dos postulados éticos e da cultura médica, a par da aceitação dos avanços técnico-científicos da medicina que não contrariem esses postulados, esta é a grande missão das Academias de Medicina.
Nesse contexto, não poderíamos esquecer os 400 anos da medicina do Maranhão, que se iniciou com o dr. Tomas de Lastre, que nos deu, inclusive, um exemplo de humanização da medicina, ao cuidar dos portugueses feridos na Batalha de Guaxemduba (Pianzola. M. Les Peroquets jaunes).
Assim, é louvável a iniciativa do Governo do Estado do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado da Saúde, de firmar uma parceria com a Academia Maranhense de Medicina e a Federação Brasileira de Academias de Medicina, para que seja realizado em julho de 2012 em São Luís, o I Congresso Maranhense de Medicina, o XIV Conclave Brasileiro das Academias de Medicina e o XXI Congresso Brasileiro de Cirurgia, oportunizando aos médicos dos mais distantes rincões do Maranhão e de São Luís, a interação com os colegas médicos dos mais avançados centros médicos do país e com a política nacional de saúde pública.
De minha parte, fico muito feliz de, como presidente da Academia de Medicina, juntamente com meus pares, poder participar deste grande evento histórico em que se estará homenageando os 400 anos da Medicina no Maranhão.
Professor Doutor em Ciências da Saúde e Presidente da Academia Maranhense de Medicina (AMM) e sócio efetivo das Sociedades Brasileira e Maranhense de História da Medicina
Publicado no jornal O Estado do Maranhão, de 25 de dezembro de 2011 (Domingo)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

XVII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISTÓRIA DA MEDICINA


 Será realizado, no período de 07 a 10 de novembro de 2012, nesta cidade de São Luís – Maranhão, o XVII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISTÓRIA DA MEDICINA E I CONGRESSO MARANHENSE DE HISTÓRIA DA MEDICIA.
Os eventos farão parte dos 400 anos de Medicina no Maranhão. Portanto, serão apresentados e discutidos temas referentes à Medicina no Estado desde o século 17, quando da sua criação, até o presente.
Os Congressos terão como público alvo não somente médico e estudantes de Medicina mas professores, outros profissionais e estudantes da área de saúde, como ainda,  de História, Geografia, Filosofia, Sociologia e quem mais se interessar pelo tema que realmente é muito abrangente. A História da Medicina Brasileira e, em particular, a do Maranhão são um vasto campo de estudo e pesquisa ainda bastante inexplorado.
Não percamos esta oportunidade.
Prof. Aymoré de Castro Alvim – Presidente dos Congressos.




sábado, 10 de dezembro de 2011

PEDRO JULIANO - MÉDICO E PAPA

ALVIM, A.C.; PIRES, A.M.S. & NASCIMENTO, M.D.S.B. aymore@elo.com.br   Telefone: 098 xx 3227-2654. Universidade Federal do Maranhão
Introdução – Na História da Medicina são encontrados vários eventos que a ligam à História da Igreja. A relação entre as duas remontam aos primeiros anos do Cristianismo se projetando ao longo da Idade Média com a fundação dos primeiros hospitais e universidades, e auxiliando no saneamento de várias regiões da Europa como um legado da Igreja à Medicina.
Material e Métodos – Revisão bibliográfica de artigos e livros referentes à História da Igreja.
Comentários e Conclusões - A bibliografia consultada nos põe a par da vida e obra de um médico que ocupou a Cátedra de Pedro, no período de 8 de setembro de 1276 a 20 de maio de 1277, com o nome de João XXI. Nascido em Lisboa, por volta de 1205, Pedro Juliano ou Pedro Hispano foi médico, filósofo, matemático e professor. Iniciou seus estudos, na escola episcopal da catedral de Lisboa, indo depois complementá-los na Universidade de Paris onde estudou Teologia e Medicina além de Lógica , Dialética, Física e Metafísica. Foi professor de medicina, na Universidade de Siena. Em 1261 recebeu as ordens sacerdotais e dentre os vários postos ocupados, na Igreja em Portugal, foi nomeado, em 1273, pelo papa Gregório X, arcebispo de Braga e, um ano depois, foi elevado ao cardinalato. O papa, em 1275, o nomeou seu principal médico. Eleito em setembro do ano seguinte dirigiu a Igreja até maio de 1277. João XXI foi um homem simples, de rara virtude e possuidor de vasta cultura. Morreu em decorrência de um acidente, no palácio apostólico de Viterbo, deixando muitas obras, inclusive no campo da medicina, onde se destacou pela grande repercussão, nas universidades européias, o tratado “De óculo” sobre oftalmologia e “Thesaurus pauperum” onde descreve várias doenças e suas curas com mais de cem edições e traduzido em doze idiomas.



segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Medicina e Humanismo

José Márcio Soares Leite*

Em recente trabalho de autoria do Dr. Dante Marcello Claramonte Galian, Diretor do Centro de História e Ciências da Saúde da Universidade de São Paulo-UNIFESP, sob o título a (Re)humanização da Medicina, este nos diz que “em sua origem a Medicina Ocidental era uma ciência essencialmente humanística” para prosseguindo citar Werner Jaeger em sua obra Paidéia.A Formação do Homem Grego ( 1995, p. 1001) – “de todas as ciências humanas então conhecidas, incluindo a Matemática e a Física, é a Medicina a mais afim da ciência ética de Sócrates”. Finalmente conclui “que esse humanismo da medicina desapareceu no século XX, pois ocorreram muitos progressos científicos nas ciências físicas, químicas e biológicas, aliados ao desenvolvimento tecnológico, e estes foram, cada vez mais, redirecionando a formação e a atuação do médico, modificando também sua escala de valores, pois à medida que o prestígio das ciências experimentais foi crescendo, o das ciências humanas esvanecia-se no meio médico. A medicina deixava de se apoiar nas ciências humanas para se sustentar, essencialmente, nas ciências exatas e biológicas” .

Em síntese, pelo que se depreende da leitura desse trabalho, o médico do século XIX, mais que um biólogo, mais que um naturalista, era fundamentalmente um humanista. Um sábio que na formulação de seu diagnóstico, levava em conta não apenas os dados biológicos, mas também os ambientais, culturais, sociológicos, familiares, psicológicos e espirituais. Era, portanto, antes de tudo um filósofo, um conhecedor das leis da natureza e da alma humana, ou seja, conhecedor dos avanços científicos de sua época no campo da clínica, da cirurgia, da patologia, da farmacologia, mas também um amante da literatura, da filosofia e da história.

É óbvio que, desde as sua origens, a medicina se fundamentou no estudo dos componentes biológicos do corpo para construir suas teorias, elaborar seus diagnósticos e determinar seus tratamentos, entretanto nunca em sua história como a partir desse período que se inicia ainda no século XIX e se estende até nossos dias, essa fundamentação chegou a ser tão absoluta e dogmática.

As descobertas ainda mais surpreendentes que ocorreram nas últimas décadas, principalmente, no âmbito da biologia celular e molecular, que ultimamente têm culminado nas pesquisas do genoma, parecem ter definitivamente confirmado a idéia de que a chave de todo o conhecimento médico está nas ciências experimentais.

Anuncia-se para dentro em breve o descobrimento das verdadeiras causas de todas ou pelo menos quase todas as doenças que flagelam a humanidade. E, desta forma, através de manipulações em nível genético, assim como por meio de precisos e eficazes tratamentos preventivos, poder-se-á prever, reverter e principalmente prevenir grande parte das doenças que nos espreitam, como o câncer, as deficiências imunológicas ou os distúrbios cardiovasculares.

A leitura do texto do Professor Galian, nos remete, de forma reflexiva, ao que nos deixou dito sobre humanismo e ciência o médico, professor, cientista e humanista Dr. Bacelar Portela, no seu discurso de posse na Academia Maranhense de Letras em 1950_ “Ensinaram-me que a vida era um simples jogo de fenômenos mecânicos e físico-químicos, de trocas entre o organismo e o meio. Assim, era incapaz de enriquecer de aquisições úteis, de nutrir os valores reais da pessoa humana; era incapaz de orientar o homem no sentido de dizer se a matéria devia ser olhada pelo prisma do espírito ou o espírito pelo prisma da matéria. Ensinaram-me, enfim, que era matéria e que era energia; que era massa, força viva e inércia; que era gravitação e campo magnético; que a ciência estava apta a saturar todos os valores e anseios do espírito humano, e que a filosofia se tinha reduzido a uma simples teoria do conhecimento, análise interior aos dados de experimentação. Não me disseram, porém, que a ciência, marchando para um pluralismo desnorteador e desintegrante, debatendo-se entre os conceitos de analogia e diferença, simultaneidade e seqüência, reversibilidade e irreversibilidade, simetria e assimetria, isotropismo e anisotropismo, quase esgotada na sua capacidade de conceituação, dividida entre as doutrinas da continuidade e descontinuidade do universo, não poderia subsistir sem a Filosofia” e o biólogo americano Francis Collins, um dos cientistas mais notáveis da atualidade. Diretor do Projeto Genoma e um dos responsáveis por um feito espetacular da ciência moderna: o mapeamento do DNA humano, no seu livro, recentemente lançado nos Estados Unidos The Language of God (A Linguagem de Deus), para quem “é possível aceitar as teorias de Darwin e ao mesmo tempo manter a fé religiosa”.

             A leitura do texto nos leva também a suscitar uma questão extremamente dialética:

            Será possível o médico atual, que exerce sua profissão apoiado no tecnicismo e mecanicismo da medicina dita científica, de equipamentos de ponta ou “armada”. Que utiliza como apoio diagnóstico a imunohistoquímica e nas suas pesquisas a imunogenética, que precisa para sobreviver andar num corre corre de serviço a serviço de saúde, todos com baixa remuneração, exercer essa prática médica de forma humano-científica como no século XIX ? Certamente que não.

 Nesse contexto, as Universidades, os Gestores da Saúde, as Academias de Medicina, os cientistas da saúde, os historiadores, os filósofos, os antropólogos, os psicólogos, os literatos, os pedagogos, professores e alunos de escolas médicas, precisam perceber que as ciências humanas têm muito a contribuir para o desenvolvimento das ciências da saúde e da medicina e que nunca como hoje se fez tão necessário uma reflexão histórico-filosófica para que se possa (re)humanizar a medicina e as ciências da saúde em geral.





* Médico. Membro da Soc. Maranhense de História da Medicina.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

UFMA concede as Palmas Universitárias 2011
Foram homenageados 45 servidores



Numa solenidade que contou com a presença de convidados, familiares e amigos, a Universidade Federal do Maranhão realizou a sua cerimônia anual de concessão de Palmas Universitárias, no auditório central da instituição. Estiveram presentes no evento o Reitor Natalino Salgado, o Vice-Reitor Antonio Oliveira, os Pró-Reitores de graduação, Aldir Carvalho, de pós-graduação, Fernando Carvalho, de Recursos Humanos, Elisa Borges, de Extensão, Antonio Luis Amaral e de Finanças, José Américo da Costa Barroqueiro.

Além dos participantes da comunidade acadêmica, alguns parceiros também receberam as Palmas como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Maranhão, IPHAN, Kátia Bogéa, o Banco do Brasil, João Avelar Matias Lopes, a Associação dos Amigos da UFMA, Alayde Pavão Lopes, a Fapema, Pedro Borges Pereira Santos, o Núcleo de Cultura Linguística, Maria de Sousa Belo, a Secretaria de Estado da Educação, João Francisco Batalha e a Secretaria Municipal de Saúde, Professor doutor Gutemberg Ferreira Araújo.

As Palmas Universitárias é uma comenda criada em 1986 para homenagear professores e funcionários que se dedicaram ou que dedicam parte da sua vida pelo desenvolvimento da Universidade, não somente como uma produtora de conhecimento, mas também, como a construtora de uma memória individual e, ao mesmo tempo, coletiva. Este foi o exemplo da cozinheira do Colégio Universitário, Iraneide Higino Passos Costa que, in memorian, teve seu nome lembrado para ser homenageado pela dedicação com que fazia a merenda escolar dos alunos do Colun. A Sua filha Vilma da Conceição Passos Castro foi quem, em nome da sua mãe, recebeu a homenagem, emocionando a todos os presentes. Assim aconteceu também com Cláudia Lobato Borges que recebeu as Palmas, in memorian, dadas ao seu pai Carlos Alberto Salgado Borges que foi coordenador do curso de medicina, entre outros cargos que exerceu ao longo de sua vida até a sua morte.

Outra homenageada, Maria José Meireles de Moraes, recebeu as Palmas Universitárias porque deu um exemplo único no serviço público: mesmo com tempo para se aposentar continua trabalhando no setor de qualidade de vida colaborando para a qualidade do serviço público, assim como a Professora Maria Ieda, da área de educação, que continua exercendo funções ou Marly Abdalla que em várias funções ajudou a construir o projeto Uniti, Universidade da Terceira Idade e que recebeu o prêmio Construtora da História.

O Presidente da Assuma, Sérgio Gonsorioski , escolhido para representar os servidores falou sobre o cenário atual da UFMA elogiando o trabalho da atual equipe e, dedicou as suas Palmas para sua esposa que está fazendo tratamento de saúde em São Paulo. Já o Professor Doutor Arão Paranaguá de Santana ressaltou a simbologia da homenagem e a singularidade do seu nascimento: no dia do professor e filho de dois professores, apreciador e professor de artes e do ensino das artes como ensino. Para ele, as Palmas representam muito por conta do momento em que vive a UFMA, não somente por sua expansão física, mas pelas condições de ensino, de pesquisa e de extensão e ainda pelas condições políticas e culturais que precisam ser estimuladas para reduzir as desigualdades que aparecem na cultura maranhense.

No seu discurso, o magnífico reitor destacou novamente a palavra gratidão para falar que “as palmas universitárias têm nome apropriado e fazê-lo publicamente é dever àqueles que são dignos dela. Interessante é que no sentido literal, as folhas de palma também significam vitória e martírio. Neste momento solene e ansiosamente aguardado por todos nós, ficaremos apenas com o primeiro sentido, embora seja sabido que nenhuma vitória nasce sem sofrimento, sem dedicação e esforço. Não poucas vezes à custa do afastamento familiar, da perda de sono, do cansaço. E dizemos que todo este dispêndio só dá sabor ao que se consegue”, disse.


http://www.ufma.br/noticias/noticias.php?cod=11533