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domingo, 21 de julho de 2013

CURAR ALGUMAS VEZES, CONSOLAR SEMPRE.

Acad. José Márcio Soares Leite, AMM, SMHM.

Na semana passada participei da solenidade de formatura dos concluintes do Curso de Medicina da Universidade CEUMA, como patrono da turma. Na oportunidade, durante minha alocução, fiz referência ao histórico das Escolas Médicas, lembrando que o primeiro curso de medicina do mundo foi o da Scuola Médica Salernitana, no século IX, que deixou de existir em princípios do século XIX. Atualmente a Escola Médica mais antiga em atividade do mundo é a Faculdade de Medicina de Montpellier na França, que existe desde o século XII, embora seu primeiro marco institucional date do ano de 1220.

O ensino oficial da medicina no Brasil começaria em 5 de novembro de 1808, quando, por Decreto de D. João VI, foi criada a Escola Anatômico-Cirúrgica e Médica da Bahia, e em 1813 a Faculdade Nacional de Medicina no Rio de Janeiro.

No Maranhão, em 28 de fevereiro de 1957, foi criada a Faculdade de Ciências Médicas pela Sociedade Maranhense de Cultura Superior (SOMACS), pertencente à Universidade Católica, depois Fundação Universidade Federal do Maranhão.

Disse ainda aos formandos, na ocasião, que essa conclusão do Curso de Medicina ocorre em momento de grandes desafios para a medicina brasileira, os quais a seguir destaco.

O primeiro desses desafios decorre da morbimortalidade prevalente no Brasil. Ainda não nos liberamos do grupo de doenças infecciosas e parasitárias e já temos que conviver com as chamadas doenças da modernidade, como as cardiovasculares e crônico-degenerativas, que já respondem por 66,3% da morbidade geral no país e com tendência crescente, em sua maioria decorrentes do crescimento da população de idosos e do ambiente progressivamente mais agressivo à saúde.
O segundo desafio diz respeito à necessidade dos jovens formandos trabalharem com cuidado e humanização a relação médico-paciente, apontada em todas as recentes pesquisas de opinião pública como o ponto focal de insatisfação dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Sob o ponto de vista médico, precisamos reverter essa situação e estrategicamente manter do nosso lado, a nosso favor, a população brasileira, para que não nos transformem em vilões, ou mesmo “amortecedores sociais” de crises institucionais ou econômico-financeiras que atingem o mundo em escala global.

Segundo Werner Jaeger, uma das maiores autoridades em história da Grécia clássica, em sua obra PAIDÉIA A Formação do Homem Grego; “... de todas as ciências humanas estão conhecidas, incluindo a matemática e a física, é a medicina a mais afim da ciência ética de Sócrates”, salientando que o médico, mais que um biólogo, mais do que um naturalista, deveria ser, fundamentalmente, um humanista.

O professor Ernesto Lima Gonçalves, em seu livro Médicos e Ensino da Medicina no Brasil, ensina-nos que “... a prática médica deve comprometer-se com o homem integral, indivíduo mais pessoa, para que possa atingir seus objetivos reais. Ela deve, pois, procurar enxergar o homem em seus componentes físicos, químicos e biológicos, mas também nos componentes mentais e psicológicos, emocionais, afetivos e sociais”.

No livro Como os Médicos Pensam, de Jerome Groopman, ele cita outro medico William Osler do Brigham Hospital, o qual dizia basicamente que “... se você escutar o paciente, ele dará o diagnóstico. Não há duvida de que os exames de apoio diagnóstico são importantes ou de que a tecnologia especializada de que dispomos hoje é vital para cuidarmos de um paciente, mas acho que essa tecnologia nos afastou da história clinica do paciente. E quando você se afasta da história clínica do paciente, já não é realmente um médico".
Toda essa observação sobre a conduta humanitária do médico já consta há 25 séculos do legado de Hipócrates, o pai da medicina, em seu “Corpus Hippocraticum”. Em um dos livros que integram esse conjunto, Peri Tékhne (da arte), Hipócrates define a medicina e seu principal objetivo "... quanto à medicina, tal como eu a concebo, penso que o seu objetivo, em termos gerais, é o de afastar os sofrimentos do doente e diminuir a violência das suas doenças, abstendo-se de tratar os doentes graves para os quais a medicina não dispõe de recursos."

Por influencia do cristianismo, no século XV, foram acrescidas a este aforismo os vebos consolar e curar, no latim medieval, medicus quandoque sanat, saepe lenit et semper solatium est (o médico às vezes cura, muitas vezes alivia e sempre é um consolo). A medicina tem uma tradição milenar e os médicos devem sempre frente às dificuldades político-institucionais, prosseguir o seu trabalho profissional, cuidando da forma mais técnica e científica dos seus pacientes, mas sem descurar, por outro lado, do aprimoramento da relação médico-paciente, a qual deve pautar-se pela humanização.

domingo, 30 de junho de 2013

O BARBEIRO DA FAMEB: GUARDIÃO PERPÉTUO DO DAMED.

JACOBINA, R.R; BOMFIM D.E.; DUTRA L.S.

Faculdade de Medicina da Bahia – FAMEB - Universidade Federal da Bahia, Salvador-BA

 A Faculdade de Medicina da Bahia (Fameb) tem um barbeiro, o Sr. Pedro Benedito de São José (Seo Bina) que atua num dos prédios da faculdade (Fameb-Vale do Canela) desde 1962, portanto, há cinco décadas. Ele recebeu uma placa de mármore de “guardião perpétuo” do Diretório Acadêmico de Medicina (Damed), fixada na parede externa da sede do Damed, no prédio do Vale do Canela. Objetivos: 1 - Identificar o protagonismo de outros sujeitos na história da escola mater da medicina brasileira; 2 – Investigar a razão da homenagem dos estudantes ao barbeiro. Metodologia: Estudo descritivo-analítico sobre o papel dos sujeitos na história. Usando a técnica da entrevista semi-estruturada foram feitos dois depoimentos do Sr. Pedro Benedito (Seo Bina): o primeiro, em 2006, numa entrevista filmada por dois acadêmicos; e o segundo, em junho de, 2009, em entrevista gravada por um professor que trabalha com pesquisa histórica. Resultados: O estudo constatou a dedicação de uma pessoa sem vínculo formal com a instituição, mas com um profundo vínculo simbólico com a Fameb-Ufba. Constatou também o protagonismo de Seu Bina na história bicentenária da Fameb, em especial, no período do regime militar (1964-1985), quando colocou sua segurança pessoal em risco na defesa de estudantes da escola médica, abrigando e escondendo lideranças estudantis dentro de sua barbearia quando as forças da repressão política invadiram algumas vezes a Fameb no Terreiro de Jesus. Em recente reforma (2008-2009), a Reitoria tentou desalojar o barbeiro, mas esta tentativa foi rechaçada pela direção, por docentes e, sobretudo, por centenas de estudantes da Faculdade. Conclusão: A história de uma instituição bicentenária não é só feita por seus dirigentes ou quadros mais titulados. Este estudo revela um barbeiro como monumento vivo, a ter seus direitos em vida defendidos e cuja memória deve ser preservada pela mais antiga faculdade de medicina do país.

terça-feira, 18 de junho de 2013

MÉDICOS ESTRANGEIROS PARA QUE?

ALDIR PENHA COSTA FERREIRA.   AMM, SMHM.

 Um dos assuntos em voga no Brasil, no momento, é a “importação” de médicos estrangeiros. Mais do que isso, aparentemente querem que eles exerçam a profissão no nosso país sem a apreciação de seus currículos pelas entidades fiscalizadoras, no caso o Conselho Federal e os Estaduais de Medicina. Isso é péssimo! Nem aos filhos da terra se concede tal privilégio!

Dias atrás, numa entrevista de televisão, um cidadão das altas esferas deu a impressão de ser um daqueles que, num gabinete climatizado, enchem a cabeça de estatísticas e passam a ditar normas para o Brasil inteiro. Sou capaz de afirmar, com todo respeito, que referido cidadão – e, provavelmente, os que advogam a vinda dos médicos estrangeiros para o Brasil – não conhece a nossa realidade, especialmente o interior do Nordeste. Confunde Campinas, por exemplo, com municípios do interior do Maranhão, e cita estatísticas da Inglaterra – que está, em condições de trabalho para os médicos, a anos-luz de distância de nós -, para justificar as suas convicções.

Essas pessoas deveriam conhecer para poder falar. Ir ao interior, circular pelas nossas cidades, percorrer as trilhas no lombo de burros, ver a pobreza das palhoças, sentir a dor das promessas não cumpridas e a decepção de ter contribuído para a eleição de certos líderes.

As precariedades do meio se refletem nas condições de trabalho dos médicos. É comum ver-se – não só no Maranhão – o modo deficiente como funcionam muitas unidades de saúde. Construir é mais fácil do que fazê-las funcionar e mantê-las. O médico, como profissional, é limitado por essas deficiências.

Um dos tópicos abordados pelo cidadão da entrevista foi o tempo necessário para a formação de um especialista médico. Deu como exemplo um neurologista que, após os seis anos do curso regular, necessita de mais cinco para a pós-graduação. Tudo bem, mas faltou dizer que, para se manter na crista da onda, o médico tem que estudar por toda a vida, dentro ou fora de uma universidade. O esforço tem que ser contínuo, e os onze anos citados são apenas o começo.

Não é só isso. Infelizmente não é só isso. Dias atrás, a televisão mostrava um motorista do Senado que recebe por mês nada menos que R$21.000,00. Isso soa como uma zombaria para a classe médica, principalmente de São Luís, pois é quase seis vezes o salário de um médico da nossa prefeitura! E mais: duvido que alguém, trabalhando exclusivamente como médico assalariado no interior, receba os polpudos vencimentos que andam apregoando por aí. Sou capaz de afirmar que nem os prefeitos – sim, os prefeitos! – limpo, limpo, recebem isso.

Tempos atrás uma pesquisadora da UFMA falava de um trabalho que fizera junto a médicos de São Luís. Dizia, dentre outras coisas, da sua surpresa para a resposta que muitos deram ante a pergunta: “O que o senhor faz nos momentos ociosos, como lazer?” A maioria respondeu: “Dormir”. A conclusão foi que eles aproveitam tais momentos para descansar. Preferem permanecer na Capital, onde as condições de trabalho são menos ruins, mesmo sendo mal pagos e tendo que trabalhar em dobro. 

A “importação” de médicos estrangeiros tem um cheiro de manobra escusa. Faz supor a existência outros interesses. A UFMA, só para citar um exemplo, forma em média 50 novos médicos por ano. Deem-lhes condições de trabalho e salários dignos, que eles estarão onde for necessário.

domingo, 2 de junho de 2013

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA CIRURGIA DE VARIZES.

MATOS, C.C.S.A.; ERICEIRA, F.B.P.
Universidade Federal do Maranhão - UFMA

Introdução: os primeiros relatos de varizes remontam da antiguidade, do reinado de Amenophis i (1550 a.c.). Há relatos de réplicas de mmii com varizes, na Grécia Antiga. Com a evolução da medicina, da tecnologia e dos procedimentos cirúrgicos, a conduta se alterou significativamente até os dias atuais. Objetivo: descrever a história e evolução da conduta cirúrgica no tratamento de varizes. Métodos: revisão bibliográfica de artigos científicos de maior relevância sobre o assunto, pesquisados em bases de dados online. Resultados: Hipócrates (460-377 a.c.), o primeiro a associar veias varicosas e úlceras na perna, cauterizava varizes com ferro em brasa. Aurelius Cornelius Celsius, na era romana, descreveu incisões escalonadas, cauterização da veia e retirada dos vasos, semelhante às incisões atuais. Cem anos depois, Cláudio Galeno usava um gancho entre duas ligaduras para extirpar veias dilatadas. Na escola de Alexandria, se falava em ligaduras vasculares. Na idade média não houve progresso – teoria humoral de Galeno vigente. William Harvey (1628) publicou a descoberta das válvulas venosas. Richard Wiseman (1676) provou que a incompetência valvular resultava da dilatação de uma veia. No final do século 18 e início do 19, por influência de Newton, passou-se a considerar a atuação da gravidade. Bünger (1823) praticou a primeira operação de enxerto. Evolução da cirurgia no final do século 19 (assepsia e anestesia), com vários relatos de novos procedimentos e instrumentos. Babcock (1907) desenvolveu o fleboextrator. Em meados de 1920, a injeção de substâncias esclerosantes tornou-se popular. Firmou-se a necessidade de interrupção dos pontos de refluxo venoso. Em 1968, Kistner realizou a primeira reconstrução valvular. É relatada a partir de 1999 a aplicação da cauterização endoluminal das veias safenas com a radiofreqüência (RF). O uso de energia a laser mostrou resultados promissores. A fotocoagulação pelo laser endovenoso foi descrita no mesmo ano que a RF. Atualmente, o padrão-ouro para o tratamento cirúrgico de varizes devido à insuficiência da junção safeno-femoral associada ao refluxo na vsi é a ligadura da crossa com fleboextração. O uso da pletismografia a ar (pga) tornou-se popular, mas há críticas. A flebografia foi durante muitos anos padrão no estudo das doenças venosas, sendo hoje pouco utilizada. Conclusão: muito se estudou ao longo do tempo e se alterou no tratamento de varizes, mas ainda há muito a aperfeiçoar nas novas condutas propostas.

sábado, 25 de maio de 2013

SÉRIES HISTÓRICAS DE PREVALÊNCIA DA HANSENÍASE E RISCO DE INFANTILIZAÇÃO NO NORDESTE AMAZÔNICO

RIOS, L. C. L.; PACHECO, M. A. B.
Universidade Ceuma – UNICEUMA
 
A prevalência da Hanseníase no Nordeste Amazônico, Estado do Maranhão, se destaca em dados de notificação, preocupando quando atinge a faixa etária ≤15 anos. Esta detecção indica focos de infecção ativos e transmissão recente, o que exige vigilância resolutiva. O Estado apresenta tendência decrescente mais tardia, estatisticamente significativa para as séries temporais. Embora considerada doença de adulto pelo longo período de incubação (2 a 7 anos), crianças também são suscetíveis com risco de acometimento. Objetivos. Analisar o perfil epidemiológico da Hanseníase no Nordeste Amazônico durante uma década, determinando a prevalência da doença na capital do Estado do Maranhão, relacionando a variável idade com as variáveis: sexo, forma clínica, classificação operacional e grau de incapacidade. Metodologia. Estudo descritivo e retrospectivo incluindo casos diagnosticados entre 2001 e 2010, cadastrados na Superintendência de Vigilância Epidemiológica do Estado, analisando-se as variáveis: idade; sexo; forma clínica; classificação operacional e grau de incapacidade. A variável idade foi categorizada em dois grupos: > 15 anos e ≤ 15 anos. RESULTADOS. Relacionando com a variável classe operacional, a forma multibacilar prevaleceu nos dois sexos, masculino (36,80%) e feminino (22,4%), na categoria > 15 anos. Mesma classe operacional foi apontada com maior prevalência em homens (3,4%) na categoria ≤ 15 anos. Quanto ao grau de incapacidade, a faixa etária maior foi a mais afetada, com homens (25,7%) e mulheres (26,9%), no grau zero, semelhante para faixa etária menor (4,2%), no sexo masculino. A forma clínica prevalente foi dimorfa, na faixa etária maior (15,5%, homens e 27,1%, mulheres), divergindo do encontrado na faixa etária menor, homens, na mesma forma clínica (2,6%). Conclusão. Estudo revela a prevalência da Hanseníase na capital do Estado do Maranhão, na forma clínica grave multibacilar dimorfa, faixa etária > 15 anos, sem grau de incapacidade. Houve importante decréscimo na faixa etária menor, a despeito de registros maiores sustentados no sexo masculino, em multibacilar dimorfa. Constata-se tendência de estabilização da Hanseníase, refutando risco de infantilização.

terça-feira, 21 de maio de 2013

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS: Uma análise da estrutura e funcionamento.

CARNEIRO, P. H. L.; PIRES, V. P.

Universidade de Brasília – UnB

 Introdução: Embora ainda hoje a Idade Média seja considerada por muitos como uma era de descaso técnico e superstição exagerada, na historiografia atual há uma tendência em demonstrar o outro lado deste período, do qual surgiram dentre outras instituições, as universidades e o modelo hospitalar semelhante ao atual. Hospitais como o Pantocrator em Bizâncio, o de São João em Jerusalém, o Hotel Dieu em Paris, e o Real Hospital de Belém em Londres, aparecem como um contraponto ao argumento da falta de profissionalização e renegação das técnicas médicas nos períodos do medievo cristão. Objetivos: O objetivo deste trabalho é demonstrar através de relatos e documentos sobre como funcionavam as instituições hospitalares medievais, exemplificadas pelo Hospital de São João de Jerusalém, o Hotel Dieu em Paris, o Real Hospital de Belém em Londres, e do hospital oriental do Cristo Pantocrator em Constantinopla, bem como analisar o tratamento preconizado nestes locais. Método: Foram analisados livros históricos e revisão de artigos do banco de dados da CAPES, encontrados por mecanismos de busca via PubMed e Google Scholar. Os dados foram analisados, selecionados e confrontados para formulação do texto do trabalho original. Resultado: Essa revisão histórica destaca alguns hospitais do baixo medievo oriental, mas, sobretudo ocidental. Demonstra também a perícia médica e as técnicas utilizadas no referido período, bem como uma visão geral das instalações e o serviço prestado por outros funcionários responsáveis pela manutenção do hospital. Também se destaca aqui o contexto histórico, importante para entender o desenvolvimento dos hospitais durante este período controverso da história, demonstrando que os hospitais foram estruturas a frente do seu tempo. Conclusão: Os hospitais, bem como as universidades e outras instituições desenvolvidas no período demonstram o contrário do que o senso em comum tende a inferir sobre a Era Medieval. Os hospitais surgem através de um intercâmbio entre caridade cristã e diversas experiências de culturas do mundo então conhecido, favorecendo o desenvolvimento de instalações e técnicas ainda hoje úteis ao serviço médico. Conhecer a história da origem dos hospitais é importante para o profissional da saúde por se entrelaçar com a história da sua profissão, e também por ser fonte de reparação de injustiças históricas, causadas por um senso comum enviesado.
Anais do Congresso Brasileiro de História da Medicina e I Congresso Maranhense de História da Medicina.

TAUNAY: Contribuição à Ciência


ASSIS, C.M. DE & RODRIGUES, M.C.

Centro de Parasitologia e Micologia, Instituto Adolfo Lutz, Dep. Patologia, FM, USP, São Paulo, Brasil.

 

Augusto de Escragnolle Taunay (1912-2000) nasceu em São Paulo. Formou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da USP em 1936. Ingressou no Instituto Adolfo Lutz em 1937, onde exerceu diferentes cargos e funções como Médico, Biologista, Chefe de Seção, Diretor Técnico, Diretor Geral, Pesquisador Cientifico do Estado de São Paulo, e Professor de Microbiologia da Faculdade de Farmácia e Odontologia de São José dos Campos, onde se doutorou em 1967. Obteve afastamento para estágios, estudos, cursos, especializações, reuniões, sessões, jornadas, semanas científicas, simpósios, seminários, congressos regionais, nacionais e internacionais, apresentando trabalhos como palestrante, debatedor e conferencista, no Brasil, EUA e Uruguai. Participou de comissões internas e externas à Instituição. Como atividades docentes foi professor e orientador em diferentes cursos, instituições e carreiras, para bolsistas, alunos de especialização, de mestrado e de doutorado, e também em bancas de concurso e defesa de teses. Desenvolveu estudos em doenças parasitárias como verminoses, protozooses, amebíases, febre tifoide, infecções enterobacterianas, urinárias, septicemia, meningites e tuberculose. Em epidemiologia verificou incidência das verminoses, protozooses, bacteriúria em nefropatias; prevalência de agentes microbianos e ocorrência, etiologia e letalidade das meningites. Os agentes mais estudados foram Shigella alkalescens, Shigella dispar, Shigella paradysenteriae, E. coli, Salmonella cholerae suis, var. Kunzendorf, Salmonella grumpensis e Neisseria meningitidis do grupo C. Como métodos de estudo destacam-se mielo cultura, mielograma, reação de Widal, aglutinação em lâmina, fixação do complemento, flora bacteriana do jejuno, meios de cultura, tipagem de Salmonella, colheita de material, cultura de urina qualitativa e quantitativa, avaliação quantitativa da leucocitúria em indivíduos normais e imunoeletroforese cruzada em acetato de celulose. Teve seus trabalhos científicos publicados em revistas nacionais e internacionais. Recebeu auxílio para desenvolvimento de pesquisas, e prêmios. Na epidemia meningocócica de 1972, caracterizou o agente, estabeleceu seu comportamento frente a quimioterápicos e implantou programa de pesquisa em colaboração com o National Institute of Health. Taunay através de seus estudos científicos contribuiu principalmente para o desenvolvimento da Bacteriologia e Epidemiologia de doenças infecciosas no Brasil e exterior.
Anais do XVII Congresso Brasileiro de História da Medicina e I Congresso Maranhense de História da Medicina.