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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

ACROMEGALIA E SCHWANNOMA VESTIBULAR (Complexo de Carney?): Um caso incomum.

Laís Lucena Silveira - SILVEIRA, LL – UNICEUMA e SMHM;  Iracema Gomes Lucena Silveira - SILVEIRA, IGL – UNICEUMA;  Viviane Chaves de Carvalho Rocha - ROCHA, VCC – HUUFMA;  Maria de Fátima Barros Sales - SALES, MFB – UNICEUMA;  Marcos Alves Lemos - LEMOS, MA – UNICEUMA;  Iracema Gomes Lucena Silveira - SILVEIRA, IGL – UNICEUMA.

INTRODUÇÃO
A acromegalia, causada pela hipersecreção do hormônio do crescimento (GH), e se caracteriza por aumento das partes moles e artralgias, com consequente elevação dos níveis plasmáticos de GF-I. Acomete mais o sexo feminino, entre a 3a e 4a décadas de vida.
Schwannoma vestibular é um tumor no nervo vestibulococlear, de crescimento lento e natureza geralmente benigna. É um tumor incomum e de baixa incidência, que afeta mais mulheres adultas entre 30 e 60 anos.  
O Complexo de Carney (CNC) pode ser definido como uma forma de neoplasia endócrina múltipla familial de herança autossômica, associada a alteração de pigmentação cutânea e de mucosa, doença nodular pigmentosa primária das adrenais, mixomas cardíacos e cutâneos, adenomas hipofisários produtores de GH e PRL, carcinoma de tireóide, além de cistos ovarianos.

OBJETIVOS
Relato de caso de associação de Acromegalia com Schwannoma ocorrido no HUUFMA, São Luís – MA.
(RELATO) MATERIAL E MÉTODO: TML, 60 anos, casada, natural e residente em São Luís, MA. Paciente diabética há 03 anos, hipertensa, obesa, ex-tabagista, acromegalia com diagnóstico há cerca de 03 anos, em uso de Sandostatin 20mg, Crestor 10 mg, Atacand comb 16/2,5mg, Somalgin cardio 100mg, Glifage XR 500mg 3x e Galvus 50mg 2x. Paciente foi diagnosticada com schwannoma do nervo vestibular em conduto interno direito por queixas de zumbido. Relata que o Pai faleceu aos 77 anos, também com acromegalia, tireoideopatia e CA de próstata. Refere ainda que realizou colonoscopia há 04 anos (normal-SIC). À RM da hipófise revelou lesão de 0,9 x 1,1 x 1cm. Em 11/02/14, sem uso de sandostatin,realixou exames: GH 0,15ng/ml, IGF1 197  (81-225), função tireoidiana e prolactina normais. Ao diagnóstico de acromegalia, em 27/09/10: IGF-I 732 (81-125). A paciente segue em uso de medicação regular (sandostatin 20 mg.

CONCLUSÃO:  Schwannomas vestibulares acometem o VIII par craniano, responsável pelo equilíbrio e audição. Geralmente crescem lentamente e em muitos casos, sem sintomatologia aparente.
 Estes tumores podem apresentar sintomas relacionados com perda auditiva. Dentre os achados da paciente, chama atenção o fato de seu caso reunir 02 critérios maiores (Schwannoma melanótico e Acromegalia) e 1 critério suplementar para o diagnóstico de Carney (parente de primeiro grau afetado, também diagnosticado com acromegalia).
 A associação dos diagnósticos de acromegalia e schwannoma vestibular é incomum. Pode haver uma associação entre as duas patologias quando na existência do Complexo de Carney. A conclusão de ambos os diagnósticos pode ser demorada, uma vez que a progressão das doenças é lenta e os sintomas manifestos em curto período são inespecíficos.
 Os casos existentes merecem uma avaliação criteriosa e exames específicos. A paciente continua o acompanhamento e na busca por outras alterações sugestivas para Complexo de Carney.

REFERÊNCIAS:
ALMEIDA, M.Q; VILLARES, M.C.B.F;  MENDONÇA, B.B. Complexo de Carney: Relato de Um Caso e Revisão de Literatura. Serviço de Endocrinologia e Metabologia do Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Arq Bras Endocrinol Metabol vol 48 nº4, Agosto 2004.
TEIXEIRA R., LOURENÇA C., COELHO L., VIEIRA H., RAMOS D., CASTRO G., MONTEIRO P., DONATO P., FERREIRA M. J., PROVIDÊNCIA, L. A.  Complexo de Carney a propósito de um caso clínico. Rev Port Cardiol 2009; 28 (2): 211-222.
NUNES, et al. Possible association between Carney Complex and Multiple Endocrine Neoplasia type 1 Phenotypes. Arq Bras Endocrinol Metab 2008;52/8




terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

OSVALDO DA COSTA NUNES FREIRE: MÉDICO, POLÍTICO E GUERREIRO.

Hamilton Raposo Miranda Filho, AMM.


Osvaldo da Costa Nunes Freire, nasceu no dia 06 de dezembro de 1911, maranhense de Grajaú, filho de Feliciano Antônio Freire e Olindina da Costa Nunes Freire.
Órfão ainda criança com menos de 01 ano de idade, período em que faleceu seu pai, Feliciano Antônio Freire. Cresceu ao lado da mãe valorizando o espirito familiar, a união e o trabalho. A sua mãe, típica sertaneja, exerceu forte influência na sua formação moral. Avessa a qualquer situação que não fosse o trabalho, Olindina da Costa Nunes Freire, influenciou o seu filho às coisas da família, ao trabalho honesto e ao tratamento respeitoso ao próximo. Marcas que Osvaldo da Costa Nunes Freire levou para sempre e este foi o seu primeiro aprendizado: moral e respeito ao próximo.
Após enfrentar todas as dificuldades do sertão maranhense, viúva e com duas crianças para criar e educar, Olindina da Costa Nunes Freire, vislumbrando um futuro melhor para a família, resolve, em companhia dos filhos, Osvaldo da Costa Nunes Freire e Gerson da Costa Nunes Freire, cruzar a fronteira da terra natal e foi morar na cidade de Coroatá.
Estabelecidos em Coroatá, Osvaldo da Costa Nunes Freire, conclui o ensino básico e decide conquistar um lugar de destaque no Maranhão. Seguiu para São Luís onde conclui o ensino secundário e o cientifico no Liceu Maranhense, direcionando a vela do barco da vida em sentido contrário ao que soprava o vento da adversidade, em um vetor que indicava a direção da vitória, mesmo que ventos procelosos pudessem tentar tirá-lo do caminho desejado.
Após a conclusão do curso científico, com a ajuda marcante e decidida do seu avô materno, Coronel Jeferson da Costa Nunes Freire, grande fazendeiro e pecuarista nas cidades de Coroatá e Vargem Grande, político influente e deputado estadual, direciona decididamente Osvaldo da Costa Nunes Freire para os estudos, em particular a Medicina. Assim segue então, com a ajuda do avô, para o estado da Bahia, e em Salvador, é aprovado para o curso de Medicina.
O irmão mais velho, Gerson da Costa Nunes Freire, seguiu o caminho da vida religiosa e se tornou um brilhante sacerdote da Igreja Católica, Monsenhor Gerson da Costa Nunes Freire.
Em 1938 após cinco anos de exaustivo estudo, formou-se em Medicina pela Universidade da Bahia, com ênfase e devido reconhecimento, por sua participação no internato da Cadeira de Clínica Médica.
Em 1939 especializou-se em Obstetrícia na Maternidade São Cristóvão, no Rio de Janeiro, sendo aluno do Professor João Pereira Camargo. Em seguida, no Hospital Gafrée Guinle, especializou-se em Ginecologia, no serviço do Professor Clóvis Correa da Costa. Na Santa Casa de Misericórdia, também no Rio de Janeiro, especializou-se em Técnica Cirúrgica, com os Professores Doutores Mariano de Andrade e Raimundo Brito e, no Hospital Central do Exército especializou-se em Cirurgia Geral, com o Professor Ernestino de Oliveira.
No início da década de 1940 estagiou em Buenos Aires, Argentina, no Hospital Rivadavia no setor de Obstetrícia e no Hospital Alvear no setor de Ginecologia e Obstetrícia, além do Curso Intensivo de Traumatologia no Hospital dos Servidores, na cidade do Rio de Janeiro.
Concluído o ciclo de especializações, retorna a São Luís onde monta consultório e passa a exercer a Medicina, dedicando-se a Ginecologia e Obstetrícia.
Em 1946 inicia sua vida pública e exerce o cargo de Secretário de Estado dos Negócios de Saúde e Assistência Social no Maranhão. Em 1948 exerceu o cargo de Diretor do Pronto Socorro Getúlio Vargas. Em 1950 passa a ser Chefe do Serviço de Higiene e Segurança do Trabalho no Estado do Maranhão. Nesse mesmo ano assumiu a Chefia da Inspetoria Regional do Serviço de Assistência Médico-Cirúrgico-Social ao Trabalhador.
Em 1951 foi eleito Deputado Estadual, onde exerceu o mandato até 1955, sendo reeleito em 1955/1959 e 1959/1963, época em que foi Presidente da Assembleia Legislativa.
Foi Presidente da Federação das Associações Rurais do Maranhão, Presidente do Diretório Regional da UDN – Maranhão e Presidente do Conselho Regional do Serviço Social Rural no Maranhão.
Foi filiado a UDN (União Democrática Nacional), PST (Partido Social Trabalhista) e PSD (Partido Social Democrático).
Foi eleito Deputado Federal em 1966 pela ARENA (Aliança Renovadora Nacional), assumindo a legislatura em 1967. Foi reeleito Deputado Federal em 1971.
Foi Vice-Presidente Regional da Arena e como Deputado Federal, no exercício parlamentar, ocupou a Comissão de Agricultura e Política Rural, Comissão da Saúde e as Comissões Especiais Polígono das Secas e Valorização Econômica da Amazônia.
Foi membro de diversas delegações da Câmara dos Deputados em viagens de trabalho ao exterior.
Tribuno inteligente costumava defender os interesses políticos com respostas desconcertantes, sempre deixando seus interlocutores ou adversários sem respostas. Outras vezes aplicava a lei da física: toda ação corresponde a uma reação. Deputado que se fez respeitar por sua honestidade, palavra empenhada e zelo pelo patrimônio público.
Em 1974 foi indicado pelo Exmo. Presidente da República, General Ernesto Geisel, para o Governo do Estado do Maranhão, assumindo o mais alto escalão da Política Estadual em março de 1975. O Vice-Governador indicado era o médico cardiologista Dr. José Murad.
Dr. Osvaldo da Costa Nunes Freira administrou o Maranhão valorizando especialmente o homem do campo e os negócios da agricultura e pecuária. Em seu Governo foi criado o Matadouro Industrial e a Usina de Pasteurização de Leite. Inaugurou os Conjuntos Residenciais do Vinhais com 1.632 unidades residenciais, Bequimão com 1.190 unidades residenciais, Turu com 767 unidades residenciais e Angelim com 654 unidades residenciais. Todos esses conjuntos foram entregues com infraestrutura completa, creche, centro de saúde, escola integrada do 1º e 2º grau, centro de abastecimento (mercado), centro social urbano (CSU), centro comercial, delegacia de polícia e administração. É do seu Governo o projeto do Complexo Esportivo do Maranhão (Castelão) e a Ponte Bandeira Tribuzi. O governo Nunes Freire foi voltado exclusivamente para o campo, em particular a agricultura, não tendo construído nenhuma obra de “fachada”, todas tinham o homem em primeiro lugar.
Enfrentou desafios e desafetos notórios, problemas de saúde, adversidade política e oposição implacável. Concluiu o seu governo de maneira altiva, punindo exemplarmente um secretario de estado que se negou a cumprir uma ordem que beneficiava os funcionários públicos, a fim favorecer o governador que assumiria o seu cargo. Ficou para a história como um homem, correto, honesto e trabalhador.
Em gesto de grandeza democrática em um Brasil que vivia ainda de exceção, Osvaldo da Costa Nunes Freire em março de 1979 passa a faixa de Governador do Estado do Maranhão para João Castelo Ribeiro Gonçalves, político adversário e que fora escolhido pelo Exmo. Presidente da República, General João Batista de Figueiredo, para o Governo do Estado.
Saiu da cena política e retorna à vida privada, não mais exercendo a Medicina, passa a cuidar dos seus negócios, principalmente agropecuários, na cidade de Vargem Grande e Coroatá, em companhia da família e da presença permanente, estimulante, conselheira e participe ativa de todos os seus êxitos a sua amada esposa, Delci de Araújo Nunes Freire.
No dia 06 de junho de 1986 Osvaldo da Costa Nunes Freire se despede da vida e ingressa no Memorial dos Inesquecíveis!
Osvaldo da Costa Nunes Freire é Patrono da Cadeira Nº 33 da Academia Maranhense de Medicina.

AGRADEÇO A FAMÍLIA NUNES FREIRE, EM PARTICULAR AO DR. LUÍS CARLOS NUNES FREIRE E VIRGINIA NUNES FREIRE, PELAS RELEVANTES INFORMAÇÕES.